A mãe de Mayra da Silva Paula, que desapareceu em 3 de julho de 2009 em Goiânia, relembra a carta deixada pela filha antes do sumiço. Na mensagem, a estudante de enfermagem, então com 20 anos, revelou que estava grávida e pediu perdão à mãe.
Edlamar Rosária da Silva Oliveira, de 60 anos, ainda tenta entender o que aconteceu. ‘Me perdoa por isso, mas foi minha única saída. Tentei resolver de outra forma, mas não consegui’, escreveu Mayra na carta, segundo relato da mãe.
A universitária estudava enfermagem na Unip e morava em Goiânia há cerca de três anos. Natural de Nova Glória, no centro-norte de Goiás, ela costumava voltar para a cidade da família em períodos de férias e feriados. Naquela sexta-feira, no entanto, não apareceu em casa como o combinado.
Edlamar contou que passou o dia esperando a filha e, sem notícias, começou a ligar para conhecidos. Dias depois, uma vizinha do apartamento onde Mayra morava telefonou para informar que havia recebido um torpedo do celular da jovem, dizendo que a mãe encontraria uma carta no imóvel.
Sem a chave do apartamento, a vizinha chamou um chaveiro para abrir a porta. A carta foi encontrada sobre a mesa, embaixo do telefone fixo. No texto, Mayra disse que estava grávida de seis meses e que não teve coragem de contar à mãe, pedindo que ninguém fosse culpado pela decisão que havia tomado.
A carta passou por perícia e a polícia confirmou que a letra era da filha. No entanto, a mensagem estava datada de 3 de junho de 2009, levantando dúvidas sobre se Mayra a escreveu um mês antes ou se confundiu a data.
Edlamar só soube da gravidez após o desaparecimento da filha, quando uma vizinha informou que Mayra pretendia contar a novidade na presença de Tiago Luis Tavares de Sousa, com quem mantinha um relacionamento. A vizinha também disse que viu o carro de Tiago em frente ao prédio na noite anterior ao desaparecimento.
Quando Edlamar questionou Tiago sobre o paradeiro de Mayra, ele inicialmente negou que estivessem juntos, mas depois reconheceu que a jovem estava grávida dele. Em depoimento à Delegacia de Homicídios, Tiago confirmou que esteve com Mayra no dia do desaparecimento e afirmou acreditar que ela estivesse escondida em algum lugar, aguardando o nascimento do bebê.
A investigação sobre o desaparecimento passou por diferentes instâncias e acabou arquivada por falta de provas. Edlamar e o advogado da família, Breyder Ferreira da Silva, afirmam que o caso foi marcado por trocas de delegados e diligências superficiais. Uma delegada demonstrou interesse em retomar a análise, mas a família não conseguiu acesso aos documentos necessários.
Edlamar, que continua morando em Nova Glória, disse que a dor da falta de respostas permanece. ‘Eu preciso de uma solução, preciso achar ela viva ou morta, do jeito que for. Tem que ter um término’, afirmou a mãe.


