A The Lycra Company, fabricante americana de spandex, entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos nesta terça-feira, 17 de março de 2026, acumulando uma dívida de US$ 1,2 bilhão.
A medida visa reestruturar financeiramente a empresa enquanto negocia com credores. Registros do tribunal indicam que os credores concordaram em fornecer US$ 75 milhões em novos financiamentos e eliminar a maior parte das dívidas existentes, que totalizam US$ 1,5 bilhão.
A companhia afirmou que o processo não afetará clientes, fornecedores ou funcionários e espera concluir a recuperação judicial em até 45 dias, contando com apoio quase unânime dos credores.
A Lycra foi fundada em 1958 como parte da DuPont e se tornou líder mundial na produção de fibras elásticas, atuando em segmentos como moda praia, fitness e vestuário de desempenho. A empresa possui oito fábricas, três laboratórios de pesquisa e 11 escritórios na América do Norte, Europa, Ásia e América do Sul, empregando cerca de 2 mil pessoas.
No Brasil, a Lycra mantém uma fábrica em Paulínia (SP) e um escritório em São Paulo. Nos últimos anos, a companhia enfrentou dificuldades financeiras, especialmente após sua aquisição em 2019 pelas chinesas Ruyi Textile e Fashion International Group Limited.
O desempenho da empresa foi prejudicado pela queda na demanda, concorrência de produtos genéricos mais baratos, tarifas nos Estados Unidos e disputas legais com antigos proprietários na China. Em 2022, os credores assumiram o controle da empresa após a Lycra deixar de pagar suas dívidas.
Apesar do pedido de recuperação judicial, a Lycra assegura que suas operações continuam normalmente. A reestruturação é uma estratégia para reorganizar o balanço financeiro e garantir a continuidade de uma marca reconhecida globalmente, preservando empregos e produção em setores-chave da indústria têxtil.
A reestruturação ocorre em um momento desafiador para fabricantes de tecidos elásticos, que enfrentam altos custos de matéria-prima, competição internacional e pressão por inovação em produtos mais sustentáveis.


