Pescadores da Comunidade Padilha, no Pantanal de Mato Grosso, enfrentam dificuldades para acessar água potável há anos. A afirmação foi feita por Adilson Mariano dos Santos durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (17), após uma expedição que percorreu cerca de 900 km do Rio Manso ao Pantanal.
A expedição contou com a participação de 25 profissionais, incluindo pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que trabalham em um plano hidrográfico do Rio Cuiabá. Adilson destacou: ‘Antes da barragem, a gente vivia tomando água das nascentes, hoje não temos mais isso. Tomamos água de garrafão, antes não era assim.’
Ele ressaltou que a comunidade aguarda uma solução para a escassez de água. ‘Quero deixar claro que antes, ninguém comprava água. Queremos uma solução para os pescadores’, afirmou.
A promotora de Justiça Ana Luiza Ávila Peterlini de Souza, da 15ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Cuiabá, informou que a superfície de água no Pantanal sofreu uma redução de 70% nos últimos anos. ‘Isso se reflete na qualidade de vida da população, principalmente da mais vulnerável. Estamos no Pantanal, a maior planície alagável do planeta, seja porque o acesso ao rio a água está poluída ou porque não tem água disponível para perfurar poços. Eles têm dificuldades e precisam comprar água na cidade’, disse.
Além da Comunidade Padilha, outras localidades, como Barão de Melgaço, também enfrentam a mesma dificuldade. Comunidades afetadas incluem Estirão Comprido, Porto Brandão, Croará, Rancharia e Piúva.
O grupo de profissionais identificou diversas irregularidades, como poluição do rio, descarte irregular de lixo nas margens, lançamento de esgoto sem tratamento e falta de saneamento básico. A promotora destacou que os empreendimentos ao redor do Pantanal, como Usinas Hidrelétricas, geram impactos severos às comunidades e ao meio ambiente.
‘Na planície alagável do Pantanal é proibida a instalação de usinas, então no entorno sempre há tentativas de instalação de novos empreendimentos, o que acaba afetando na disponibilidade de água no Pantanal, na reprodução dos peixes e uma série de impactos’, explicou.
A bacia hidrográfica do Rio Cuiabá é considerada uma região vermelha por ter o maior ponto de desova de peixes comerciais, como o pacu, segundo estudo da Agência Nacional de Águas (ANA). Existem 54 empreendimentos hidrelétricos no estado, sendo 47 Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidráulicas e sete usinas hidrelétricas.


