Tenente-coronel é indiciado por feminicídio em caso de PM morta em SP

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto por feminicídio e fraude processual no caso da morte de sua companheira, a soldado Gisele Alves Santana. A informação foi confirmada pelo advogado da família da vítima, José Miguel Silva Junior.

Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal residia. O tenente-coronel, que estava presente no local, chamou socorro e inicialmente reportou o caso como suicídio. Posteriormente, a classificação foi alterada para morte suspeita. A família de Gisele contestou a versão de suicídio desde o início.

Laudos necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) no corpo de Gisele apontaram lesões contundentes na face e na região cervical, que indicam pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal. O último laudo foi datado de 7 de março, um dia após a exumação do corpo da vítima. No laudo do dia 19 de fevereiro, já havia menção a lesões na face e no pescoço.

O advogado José Miguel Silva Junior afirmou que as marcas encontradas no pescoço da vítima, juntamente com outros elementos de prova, sustentam a tese do crime de feminicídio. Uma testemunha vizinha relatou ter ouvido um disparo às 7h28 do dia da morte, enquanto o tenente-coronel acionou a polícia às 7h57, o que gerou questionamentos sobre o intervalo de quase meia hora para pedir socorro.

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Silva Junior também mencionou uma foto da vítima com a arma na mão, tirada pelos socorristas, o que ele considera incomum em casos de suicídio. Além disso, três mulheres policiais foram ao apartamento do casal para realizar uma limpeza horas após a ocorrência, fato que já foi confirmado em depoimentos.

A defesa do tenente-coronel não confirmou o indiciamento. A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público e aguarda retorno.

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