O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sugeriu na segunda-feira (16) que o Equador realizou um bombardeio em território colombiano, próximo à fronteira entre os dois países. Segundo ele, uma bomba não detonada foi encontrada perto da casa de uma família rural.
Na terça-feira (17), Petro afirmou que 27 corpos foram encontrados carbonizados na região de fronteira, sem fornecer mais detalhes sobre o episódio. O presidente do Equador, Daniel Noboa, negou que tenha ordenado um bombardeio contra a Colômbia, afirmando que o país realiza ataques apenas contra grupos criminosos dentro de seu território.
O ataque, segundo o governo colombiano, ocorreu próximo à cidade de Ipiales, no sul da Colômbia, a poucos metros da fronteira com o Equador. Moradores relataram que aviões lançaram bombas do lado equatoriano, com parte dos artefatos caindo no território colombiano. O camponês Julián Imbacuán disse que um explosivo caiu a cerca de 60 metros de sua casa no povoado de El Amarradero, e que o suposto ataque ocorreu no dia 3 de março.
Imagens divulgadas mostram o explosivo em meio a plantações e uma cratera próxima. O governo colombiano pediu que os moradores se afastem da área. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a identidade das vítimas dos corpos encontrados nem sobre as circunstâncias das mortes.
O governo colombiano informou que a bomba encontrada pesa cerca de 250 kg e não foi detonada. Imagens mostram que o explosivo possui inscrições em inglês. Especialistas afirmaram que o artefato é uma bomba de queda livre do tipo MK, geralmente fabricada no Brasil e nos Estados Unidos.
Gustavo Petro acusou o Equador de realizar ataques a partir de seu território e pediu ajuda ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para intervir no caso. Ele afirmou que não deseja entrar em guerra e que as bombas caíram perto de casas de famílias que substituíram cultivos de coca por produtos legais.
Por sua vez, Noboa classificou as acusações como falsas e afirmou que o Equador combate grupos criminosos dentro de seu território, acusando a Colômbia de falhar no controle da fronteira, permitindo a entrada de grupos criminosos.
A tensão entre os dois países aumentou desde fevereiro, quando o Equador impôs tarifas sobre produtos colombianos, e a Colômbia respondeu com medidas semelhantes. Além da disputa comercial, há divergências sobre o combate ao narcotráfico na região de fronteira, onde atuam guerrilhas e organizações criminosas.


