Mais da metade das grandes cidades do Brasil investe menos de R$ 100 em saneamento

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

Mais da metade dos 100 municípios mais populosos do Brasil investe menos de R$ 100 por habitante por ano em saneamento básico. Este valor é considerado muito abaixo do necessário para ampliar o acesso aos serviços e alcançar as metas de universalização previstas para a próxima década.

Os dados fazem parte da edição de 2026 do levantamento anual sobre saneamento nas grandes cidades brasileiras, elaborado com base nas informações mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), referentes a 2024. Segundo o estudo, 51 municípios registraram investimento inferior a R$ 100 por habitante no setor, o que representa pouco menos da metade do valor considerado necessário para universalizar os serviços no país.

O Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) estima que seriam necessários cerca de R$ 225 por habitante ao ano para que todas as cidades consigam garantir acesso amplo a água tratada e coleta de esgoto até 2033. Menos de 3% das cidades brasileiras estão perto de universalizar o saneamento.

A diferença nos investimentos reflete diretamente na qualidade dos serviços. Enquanto os municípios com melhor desempenho apresentam índices próximos da universalização, outras cidades ainda enfrentam déficits expressivos. Nos 20 municípios mais bem colocados no levantamento, a média de coleta de esgoto chega a 98,08%. Já entre os 20 piores, o índice médio cai para apenas 28,06%, uma diferença superior a 70 pontos percentuais.

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O contraste também aparece no tratamento do esgoto. Nas cidades com melhores indicadores, cerca de 77,97% do esgoto gerado é tratado. Entre os municípios com pior desempenho, a média fica em torno de 28,36%.

Entre as cidades com melhores resultados estão: Franca (SP), São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP) e Santos (SP). Na outra ponta, municípios como Santarém (PA), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Várzea Grande (MT) e Parauapebas (PA) enfrentam grandes desafios de infraestrutura.

O estudo também mostra que a diferença de investimento ajuda a explicar parte dessas desigualdades. Entre 2020 e 2024, os 20 municípios mais bem posicionados registraram investimento médio anual de R$ 176,17 por habitante, enquanto os 20 piores tiveram um valor médio de R$ 77,58 por habitante.

A falta de acesso a serviços de saneamento básico ainda afeta milhões de brasileiros. De acordo com o levantamento, mais de 30 milhões de pessoas no país vivem sem acesso à água potável, e a coleta de esgoto não chega a cerca de 90 milhões de brasileiros, o que representa 43,3% da população.

Além da cobertura limitada, outro problema recorrente é a perda de água na rede de distribuição. Em média, cerca de 41,5% da água produzida nos municípios analisados se perde antes de chegar às residências, um índice superior ao limite de 25% considerado adequado para o sistema.

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““Os resultados desta edição do Ranking mostram que, apesar dos avanços registrados em diversos municípios no acesso à água potável e à coleta de esgoto, o tratamento do esgoto ainda é o aspecto mais distante da universalização no país e segue como o principal desafio a ser enfrentado”, afirmou Luana Siewert Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil.”

Ela também destacou que algumas cidades demonstram que a universalização é possível quando há planejamento e investimento contínuo. “O empate nas quatro primeiras colocações do ranking traz uma mensagem positiva: há cidades que estão cumprindo seu papel, alcançando elevados níveis de atendimento e eficiência, o que reforça que a universalização é viável quando há planejamento, investimentos contínuos e boa gestão”, disse.

Segundo o estudo, alcançar as metas previstas no Marco Legal do Saneamento Básico até 2033 dependerá de aumento consistente de investimentos e de maior capacidade de planejamento e gestão dos serviços nas cidades brasileiras.

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