Mariza dos Santos, mãe de Larissa dos Santos Silva, vive o luto da perda da filha única em um caso de feminicídio. Desde a morte de Larissa, a rotina de Mariza mudou completamente, e ela agora assume a responsabilidade de criar os quatro netos.
“Sou a mãe deles, a avó, pai, o vô, tudo sou eu. É uma correria… Leva um, busca o outro, põe no carro, tira do carro. Mas isso ajuda a continuar. Se eu não tivesse eles, eu não continuaria”, desabafou Mariza.
Larissa foi morta a tiros pelo marido, Bruno William da Silva, quando chegava do trabalho em setembro de 2025. A violência que ela já havia enfrentado dentro de casa culminou em uma morte presenciada pelas crianças, que agora dependem da avó.
Em outro caso, Sueli Oliveira Silva, mãe de Camila Oliveira Silva, também perdeu a filha em um ato de violência. Camila foi atropelada três vezes pelo ex-companheiro, Edenísio Júlio Teixeira, em outubro de 2025, em Campinas. Sueli faz um alerta para quem vive em um ciclo de violência: “Sai fora, porque eles não pensam duas vezes”.
Larissa dos Santos Silva nasceu em 12 de junho de 1996. Mariza a descreve como “a melhor filha do mundo”. O relacionamento de Larissa com Bruno era marcado por frequentes agressões. “Sempre teve muitas violências. Busquei ela várias vezes no [Hospital] Ouro Verde, machucada dele. Ele prometia que ia mudar, e ela acreditava”, contou Mariza.
No dia do crime, Bruno estava com ciúmes porque Larissa trabalhava à noite. Quando ela abriu o portão de casa, foi atingida por um tiro no peito e, ao tentar fugir, foi atingida novamente. Os quatro filhos do casal estavam em casa no momento do crime. Bruno se entregou à polícia uma semana depois e está preso há cinco meses. O caso corre em segredo de Justiça.
Camila Oliveira Silva, de 33 anos, também teve um relacionamento conturbado com Edenísio, que a controlava e a perseguia. Após a separação, a situação se agravou. No dia 17 de outubro, Edenísio furou os pneus do carro de Camila e, no dia seguinte, a atropelou. “Ele ficou a manhã inteira atrás dela. Até que ela saiu da porta… ele passou o carro em cima dela. Três vezes”, relatou Sueli.
Edenísio está preso há quatro meses, e o processo também corre sob segredo de Justiça. Sueli tenta transformar seu luto em um alerta para outras mulheres: “Cada dia é mais e mais mulher morrendo. Sai fora, porque eles não pensam duas vezes para fazer igual fez com a minha filha”.


