Guerra no Oriente Médio altera expectativas para superquarta financeira

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A superquarta, que alinha as decisões de política monetária dos EUA e do Brasil, é crucial para o mercado financeiro. No entanto, a atual situação da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã gera um choque inflacionário significativo, alterando as expectativas do mercado sobre a trajetória de juros.

No caso do Federal Reserve (Fed), a manutenção da taxa de juros em 3,5% é a decisão esperada. Contudo, a incerteza sobre os próximos passos é evidente, especialmente após divergências entre os dirigentes do Fed na reunião de janeiro, onde alguns indicaram a possibilidade de aumentos de juros devido a um repique de preços.

No Brasil, os investidores inicialmente esperavam um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%. Entretanto, as apostas mudaram para uma redução de 0,25 p.p. ou até mesmo a manutenção da taxa, provocando desarranjos no mercado de juros dos títulos públicos.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) será anunciada após o fechamento do mercado. Um dos principais desafios da crise atual é que a inflação, impulsionada pelo aumento dos preços do petróleo, representa um choque de oferta. O aumento da taxa de juros, embora utilizado como remédio, pode resultar em desaceleração econômica mais acentuada.

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Apesar das incertezas, investidores adotam uma postura mais cautelosa. Os futuros das bolsas americanas iniciam a quarta-feira em alta, assim como o EWZ, fundo que representa ações brasileiras em Nova York. O preço do petróleo apresenta leve queda, sendo negociado na faixa de US$ 103.

A agenda do dia inclui a publicação do PPI de fevereiro nos EUA às 9h30, anúncio dos estoques de petróleo às 11h30, divulgação do fluxo cambial semanal pelo Banco Central às 14h30, e a decisão sobre os juros pelo Fed às 15h, seguida de uma entrevista com Jerome Powell. O Copom anunciará sua decisão sobre os juros às 18h30.

Após o fechamento do mercado, serão divulgados os balanços de MBRF, Minerva, PetroReconcavo, Positivo, Vivara, Aeris Energy e CVC, além de Micron nos EUA.

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