Cerca de 71% dos brasileiros se opõem à proposta do governo, liderada pelo Ministro Guilherme Boulos, de implementar uma taxa mínima de R$ 10 nos aplicativos de entrega de comida. As informações foram divulgadas em pesquisa realizada pela Quaest em parceria com a Associação Nacional dos Restaurantes (ANR).
A pesquisa, publicada na terça-feira, 17, revela que 78% dos entrevistados acreditam que o tabelamento resultaria em um aumento nos preços dos pedidos feitos por meio de aplicativos. Além disso, 87% da população afirma ter conhecimento sobre a discussão acerca da regulamentação do trabalho por aplicativos, e 76% ouviram falar da proposta do governo.
Quando questionados sobre quem seria mais impactado pela proposta, 86% dos participantes indicaram que as pessoas mais pobres seriam as mais afetadas. Em relação à disposição de pagar valores mais altos pelas entregas, 71% dos brasileiros afirmaram que não pagariam mais, enquanto 29% se mostraram dispostos a arcar com custos adicionais.
““Medidas como a fixação de valores mínimos podem afetar os consumidores, sobretudo os mais vulneráveis, e pressionar a operação de bares e restaurantes, em especial os de pequeno porte, que dependem do delivery”, disse Fernando Blower, Presidente Executivo da ANR.”
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, destacou que a posição em relação à proposta está fortemente ligada à identidade política. A rejeição à proposta é quase unânime entre os eleitores de direita (97%), enquanto a esquerda demonstra um apoio majoritário (84%).
Nunes também apontou que o posicionamento dos eleitores independentes é relevante, com 83% deles rejeitando a proposta, um dado significativo em um ambiente de polarização política, visto que esse grupo costuma ser decisivo nas eleições.
““A rejeição transcende as divisões partidárias e sinaliza que o tema pode ter implicações eleitorais significativas”, comentou Nunes.”
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16 de março, com 1.031 brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de 3 pontos percentuais.


