Na tarde da última segunda-feira, uma movimentação chamou a atenção na Avenida Conselheiro Furtado, em Belém, Pará. Passava de 15h30 quando Ronaldy Gomes, conhecido nos registros policiais, saiu de uma agência do Banco do Brasil com uma mochila marrom carregada com R$ 500.000 em dinheiro vivo.
O saque, considerado elevado, despertou a atenção do Coaf, que acionou a Polícia Federal. Ao deixar a agência, Gomes foi abordado por uma equipe da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, que já estava de prontidão.
Gomes caminhou até um veículo Land Rover blindado, onde estavam outros dois homens. Ao ser abordado, os ocupantes do carro tentaram fugir, e um deles, o motorista, portava uma pistola. Os agentes efetuaram um disparo de advertência para interromper a fuga.
O motorista do carro foi identificado como Felipe Linhares Paes, empresário dono da Solucione Produções e Comércio de Livros, que possui contrato milionário na área cultural do Governo do Pará. Gomes, investigado por tráfico de drogas e lavagem de capitais, era um funcionário de Paes que atuava como laranja na empresa, convocado apenas para realizar o saque.
O outro homem no veículo era Michel Ribeiro, servidor comissionado na Casa Civil do governo do Pará. Os três foram presos e levados para prestar depoimento. Ribeiro alegou que estava no carro para uma “reunião sobre produção de livros didáticos” e que pegou carona com Paes para discutir um trabalho de consultoria.
A Polícia Federal considerou a versão de Ribeiro, dada sua posição na Casa Civil e o contexto da situação, como pouco plausível, e abriu uma investigação por crimes de corrupção passiva e ativa. O empresário optou por permanecer em silêncio durante o depoimento, mas teria afirmado que o dinheiro sacado seria destinado ao pagamento de bandas e fornecedores, já que é conhecido por produzir eventos em Belém.
O laranja admitiu que recebia R$ 3.000 para figurar como sócio na empresa e realizar o “serviço”.


