O regime iraniano anunciou nesta quarta-feira, 18, que irá vingar a morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança, assassinado por um bombardeio israelense dois dias antes. O enterro de Larijani ocorrerá em Teerã, com homenagens também ao comandante da força paramilitar do país e a soldados mortos em um ataque dos Estados Unidos.
O comandante do Exército do Irã, Amir Hatami, afirmou que a resposta ao assassinato de Larijani será “decisiva”. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, declarou que a morte do chefe da segurança não desestabilizará o sistema político de Teerã e que todos enfrentarão as consequências da guerra contra Israel e Estados Unidos. “A onda de consequências mundiais está apenas começando e afetará a todos, sem distinção de riqueza, religião ou raça”, advertiu Araqchi.
Na semana anterior, Larijani havia participado de uma manifestação em Teerã, apesar de ser considerado um alvo. O funeral está programado para hoje, conforme reportado pelas agências iranianas Fars e Tasnim. A cerimônia coincidirá com os funerais do comandante da força paramilitar basij, Gholamreza Soleimani, e dos mais de 80 marinheiros da fragata afundada por um submarino americano há duas semanas.
Na terça-feira, Israel anunciou que “eliminou” Larijani, figura crucial no governo iraniano, além de um general de uma milícia vinculada à Guarda Revolucionária. O Irã confirmou a morte de Larijani poucas horas após o anúncio israelense. Em retaliação, o Irã lançou um ataque contra Israel utilizando uma “bomba de fragmentação”, resultando na morte de duas pessoas em uma cidade próxima a Tel Aviv.
A Guarda Revolucionária afirmou ter disparado mísseis contra Israel “em vingança pelo sangue do mártir Ali Larijani e de seus companheiros”. O Exército israelense declarou que está determinado a “localizar, encontrar e neutralizar” o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde os primeiros ataques em 28 de fevereiro.
O paradeiro e a saúde de Mojtaba Khamenei, aparentemente ferido no mesmo ataque que matou seu pai, geram especulações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “não se sabe se ele está morto ou não”. Fontes do governo dos Estados Unidos e de Israel indicam que o guia supremo pode estar “desfigurado” ou ferido.
Ali Larijani foi uma peça fundamental da República Islâmica e um dos ideólogos do regime. Ele é considerado o alvo de maior hierarquia visado pela ofensiva de Israel e dos Estados Unidos desde a morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Larijani, que possui formação em matemática e filosofia, foi ministro da Cultura, diretor da rádio e televisão pública, coordenador das negociações sobre o programa nuclear, presidente do Parlamento e, nos últimos anos, chefe do Conselho Supremo de Segurança.
Larijani e Soleimani “se uniram nas profundezas do inferno a (Ali) Khamenei”, afirmou Katz. O chefe da segurança teve um papel muito mais visível desde o início da guerra do que o filho e sucessor do líder supremo. Ele também foi um dos funcionários afetados por sanções dos Estados Unidos em janeiro, após os protestos em todo o país que começaram no final de 2025.

