O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, declarou na terça-feira, 17 de março de 2026, que qualquer tentativa dos Estados Unidos de assumir o controle da ilha será recebida com “resistência inabalável”. A afirmação veio após o presidente americano, Donald Trump, sugerir que poderia agir como quisesse em relação a Cuba “muito em breve”.
As declarações ocorrem em um contexto de crescente crise energética em Cuba, exacerbada pelo cerco dos EUA à exportação de combustível ao país. Na segunda-feira, 16 de março, a rede elétrica cubana colapsou, deixando a maior parte da população sem energia.
Díaz-Canel criticou as sucessivas administrações americanas que tentaram isolar Cuba por mais de seis décadas. Em uma postagem no X (ex-Twitter), ele acusou o governo Trump de usar a fragilidade econômica da ilha como um “pretexto ultrajante” para tentar controlar o país. “Só assim se explica a feroz guerra econômica, que é aplicada como punição coletiva contra todo o povo”, afirmou.
““Diante do pior cenário, Cuba tem uma certeza: qualquer agressor externo encontrará uma resistência inabalável.””
Trump tem feito provocações à liderança cubana, sugerindo que teria “a honra de tomar controle” da ilha e prometendo que “faremos algo com Cuba muito em breve”. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também se manifestou, afirmando que Cuba “precisa de novas pessoas no comando” e que a economia do país não está funcionando.
A crise energética em Cuba se agravou após os EUA bloquearem as compras de petróleo, privando a rede elétrica da principal fonte de combustível. Na segunda-feira, a população foi forçada a cozinhar com gás e utilizar velas devido à falta de energia. O governo cubano reduziu o horário das aulas e adiou eventos esportivos.
Na tarde de terça-feira, a energia foi restabelecida para cerca de 55% dos clientes em Havana e em algumas localidades do país. A situação se complicou ainda mais após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, o que interrompeu os envios de combustível de Caracas, principal fornecedor de Cuba nos últimos 25 anos.
As Nações Unidas estão em negociações com o governo Trump para permitir a entrada de combustível em Cuba para “fins humanitários”. Trump, por sua vez, expressou seu desejo de mudança no regime cubano, afirmando que Cuba “vai cair muito em breve” e sugerindo uma “tomada amistosa” da ilha.
Díaz-Canel confirmou que seu governo iniciou diálogos com representantes dos Estados Unidos para identificar problemas bilaterais a serem resolvidos. “As conversas foram orientadas a buscar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações”, disse ele.


