Os preços do petróleo e do gás natural dispararam nesta quarta-feira (18), após relatos dos primeiros ataques a instalações de petróleo e gás iranianas na guerra, incluindo o maior campo de gás natural do mundo.
Por volta das 12h40, pelo horário de Brasília, o petróleo Brent de maio subia mais de 5%, chegando perto de US$ 109 o barril. O WTI, referência nos EUA, de maio, subia mais de 2%, a US$ 98 o barril. Os preços do gás natural europeu, com entregas previstas para abril, chegaram a subir mais de 7%.
As agências de notícias semioficiais iranianas Fars e Tasnim informaram que algumas instalações importantes da indústria de petróleo e gás natural do país, incluindo refinarias, foram atingidas por ataques conjuntos entre EUA e Israel, e que os serviços de emergência tentam conter os incêndios.
A agência Tasnim citou South Pars, o maior campo de gás natural do mundo, e Asaluyeh, que possui instalações de petróleo e petroquímicas. South Pars é compartilhado com o Catar, que já desativou a maior planta de gás natural liquefeito (GNL) do mundo.
No início da guerra, Israel atacou um depósito de combustível em Teerã e, na sexta-feira (13), os Estados Unidos atacaram infraestrutura militar na ilha iraniana de Kharg, mas os ataques desta quarta-feira (18) representam os primeiros ataques a instalações de produção.
Os ataques mais recentes aumentam os temores de uma guerra mais longa. “Os mercados de energia estão tendo que precificar continuamente uma interrupção mais prolongada nos fluxos de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz”, escreveu Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING.
O petróleo Brent fechou a US$ 103,42 na terça-feira (17), o nível mais alto desde o início da guerra, enquanto o Irã intensificava os ataques à infraestrutura energética no Golfo. Os preços do petróleo bruto subiram cerca de 40% desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro.
As oscilações nos preços do petróleo indicaram que os investidores não se animaram muito com a notícia de que o Iraque havia fechado um acordo para retomar uma pequena quantidade de exportações de petróleo bruto via Turquia, contornando o Estreito de Ormuz, que está bloqueado.
As exportações de petróleo bruto dos campos petrolíferos de Kirkuk, no Iraque, devem ser retomadas nesta quarta-feira (18), a partir do porto de Ceyhan, na Turquia. O governo federal do Iraque e o Governo Regional do Curdistão (GRC) “concordaram em tomar as medidas de segurança necessárias para proteger os campos petrolíferos e garantir a continuidade das exportações de petróleo”, afirmou o GRC em comunicado.
As exportações pelo oleoduto de Kirkuk fluirão a uma taxa de 250 mil barris por dia. Para contextualizar, o Iraque produzia cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo por dia antes do início da guerra, de acordo com a Administração de Informação Energética dos EUA.
Em outra notícia, uma fonte de segurança iraniana disse que Teerã está em negociações com oito países fora do Oriente Médio para garantir passagem segura pelo Estreito de Ormuz a petroleiros que transportam petróleo negociado em yuan chinês.
Os preços da gasolina nos Estados Unidos atingiram o nível mais alto em quase dois anos e meio. O preço do galão de gasolina comum subiu mais 5 centavos de dólar, em média, para US$ 3,84, o preço mais alto desde 25 de setembro de 2023, segundo a Associação Automobilística Americana (AAA).
O preço médio da gasolina está agora em US$ 4 ou mais em sete estados, e ultrapassou os US$ 5 por galão na Califórnia, Havaí e Washington, segundo a AAA. O preço médio nacional subiu 86 centavos de dólar em apenas 18 dias – um aumento de 29%.
O foco do mercado permanece na duração da guerra. Também nesta quarta-feira (18), o Irã lançou novos ataques contra Israel, prometendo vingança pelo assassinato de dois importantes líderes iranianos nesta semana.


