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Justiça

Desembargador não interferiu em cena do crime, afirma corregedor da PM

Amanda Rocha
Última atualização: 18 de março de 2026 12:55
Amanda Rocha
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Tempo: 5 min.
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O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan não interferiu na cena do crime e agiu apenas como amigo do tenente-coronel Geraldo Neto, suspeito de matar a esposa, a soldado da PM Gisele Alves. A afirmação foi feita pelo coronel Alex Asaka, comandante da Corregedoria da Polícia Militar, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (18), após a prisão preventiva do oficial.

O tenente-coronel foi localizado pela polícia em São José dos Campos, no interior paulista. Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no Brás, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Após acionar a polícia e o Corpo de Bombeiros, o tenente-coronel telefonou para o desembargador, que se dirigiu ao local. Imagens de câmeras de segurança do condomínio registraram a chegada do magistrado pouco depois do disparo.

Na coletiva, o delegado Denis Saito, do 8° Distrito Policial, que investiga o caso, afirmou que o desembargador já prestou esclarecimentos e que não houve irregularidade em sua conduta.

“”Ele foi na condição de amigo e analisada todas as condutas captadas pelas câmeras corporais não foi detectada qualquer ato de ingerência do mesmo. Então realmente não tem nada a ser apurado em relação à conduta do mesmo”,”

explicou o delegado.

A prisão preventiva do tenente-coronel foi decretada pela Justiça Militar. Ele foi detido em São José dos Campos e indiciado por feminicídio e fraude processual, por suspeita de ter alterado a cena do crime. A medida foi tomada para garantir a ordem pública, preservar a investigação e manter a hierarquia e a disciplina na corporação, citando risco de interferência nas apurações, incluindo possível influência sobre testemunhas.

A Justiça também determinou a apreensão de celulares, a quebra de sigilo de dados eletrônicos e o compartilhamento de provas com a Polícia Civil. O oficial deve ser encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital, após realizar os exames de corpo delito e passar por audiência de custódia.

Inicialmente, o coronel havia afirmado que a esposa se suicidou após uma discussão, mas essa versão foi descartada após a Polícia Civil tratar o caso como morte suspeita e laudos periciais indicarem homicídio. A defesa do tenente-coronel afirmou que a Justiça Militar não tem competência para analisar e julgar o caso, que deve ser encaminhado à Justiça comum.

A decisão das autoridades em pedir a prisão de Geraldo ocorreu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao inquérito laudos relacionados à morte de Gisele. Indícios em dois dos 24 laudos foram determinantes para isso: a trajetória da bala que atingiu a cabeça da vítima e a profundidade dos ferimentos encontrados. Resultados de exames, como o necroscópico, o da exumação do corpo e o toxicológico, foram cruciais para a delegacia concluir que Geraldo matou Gisele por ciúmes e possessividade.

O tenente-coronel tem 53 anos e Gisele tinha 32. Muitos dos laudos foram refeitos a pedido da própria investigação devido a dúvidas sobre as circunstâncias da morte da soldado. O laudo necroscópico concluiu que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada. A trajetória do tiro apontou que o disparo foi dado de baixo para cima e com o cano encostado na cabeça.

Outros pontos que chamaram a atenção incluem o fato de o coronel ter telefonado para a PM apenas 29 minutos após uma vizinha escutar um tiro e a discrepância em sua versão sobre ter tomado banho antes da chegada dos socorristas. Exames indicaram a presença de sangue de Gisele em várias partes do apartamento. A perícia utilizou luminol para detectar as gotas de sangue.

Após a perícia, três policiais militares mulheres foram até o imóvel limpar o local, o que levou o coronel a ser investigado pela Corregedoria da PM por abuso de autoridade. O laudo sexológico constatou que Gisele não estava grávida e a reconstituição do crime ainda não foi finalizada.

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