Governo do Senegal solicita investigação por corrupção após perda de título

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O governo do Senegal solicitou, nesta quarta-feira (18), uma investigação internacional por “suspeitas de corrupção” na Confederação Africana de Futebol (CAF). A solicitação ocorre após a decisão da CAF de retirar do Senegal o título de campeão da Copa Africana de Nações (CAN) e atribuí-lo ao Marrocos.

A CAF anunciou na terça-feira à noite que a seleção do Senegal foi excluída durante a final, que foi vencida na prorrogação pelos ‘Leões de Teranga’ por 1 a 0. Contudo, o resultado oficial agora é de 3 a 0 para a seleção marroquina, em conformidade com as regras de W.O ou abandono da partida da Confederação.

Marie Rose Khady Fatou Faye, porta-voz do governo senegalês, afirmou em comunicado: “O Senegal rejeita inequivocamente esta tentativa injustificada de desapropriação”. Ela denunciou a decisão como uma ação “de gravidade excepcional” e “grosseiramente ilegal”.

A nota do governo senegalês também solicita a abertura de uma investigação internacional independente sobre as suspeitas de corrupção nos órgãos dirigentes da CAF. Além disso, o Senegal pretende utilizar todos os meios legais disponíveis, inclusive perante os órgãos jurídicos internacionais competentes, para garantir que a justiça seja feita e a primazia do resultado esportivo seja restabelecida.

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A CAF justificou sua decisão com base nos artigos 82 e 84 do regulamento da CAN, que afirmam que, se uma equipe “se recusar a jogar ou abandonar o campo antes do apito final, será considerada perdedora e eliminada definitivamente da competição”.

A federação senegalesa classificou a decisão como “sem precedentes e inaceitável, que desacredita o futebol africano” e informou que irá recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) contra a decisão que retirou o título do país.

Em entrevista à TV local, o secretário-geral da federação, Abdoulaye Seydou Sow, descreveu a decisão como uma “vergonha para o futebol africano” e destacou que a contestação pode ser feita no prazo de dez dias.

A final da CAN ocorreu em 18 de janeiro, onde um pênalti marcado para o Marrocos nos acréscimos do segundo tempo, logo após um gol do Senegal ter sido anulado, gerou confusão. Alguns jogadores senegaleses deixaram brevemente o campo, enquanto torcedores tentaram invadir o gramado e atiraram objetos. Após 15 minutos de tumulto, os jogadores senegaleses retornaram e, em meio ao caos, o atacante marroquino Brahim Díaz desperdiçou a cobrança de pênalti. Na prorrogação, o Senegal venceu com um gol de Pape Gueye.

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