O economista André Braz, da FGV IBRE, analisou o impacto de Donald Trump no cenário internacional em uma recente declaração. Ele destacou que o comportamento do ex-presidente americano é marcado por imprevisibilidade, o que gera riscos globais que o mercado não aprecia.
Braz criticou o temperamento de Trump, afirmando que decisões impulsivas contribuíram para uma ‘guerra inútil’, com consequências humanas e econômicas significativas. Ele enfatizou que essa instabilidade afeta diretamente países como o Brasil, que acabam importando essa volatilidade.
“‘Eu acho que quem coloca um ponto final no Trump é a sociedade americana e eles (os americanos) têm que usar os mecanismos que têm em mãos como o movimento de impeachment’, opinou Braz.”
Em relação à política monetária, Braz defendeu que a taxa Selic deve permanecer em 15% ao ano. Embora isso possa parecer severo, ele argumentou que manter os juros altos é necessário para conter uma inflação que pode ser exacerbada pela alta do petróleo no mercado internacional.
O economista também abordou a guerra e seus desdobramentos, afirmando que, mesmo que o conflito envolvendo o Irã diminua rapidamente, os danos já estão feitos. O preço do petróleo acima de US$ 100 afeta toda a cadeia produtiva, desde o agronegócio até o vestuário, pressionando os preços de maneira contínua.
Braz reconheceu que a manutenção de juros elevados impacta as contas públicas, encarece a dívida e limita o crescimento. No entanto, ele vê a estabilidade como uma prioridade, afirmando que é preferível um remédio amargo agora do que uma inflação descontrolada no futuro.
Por fim, o economista deixou um recado sobre a necessidade de cooperação em tempos de crise. Ele acredita que divergências políticas devem ser deixadas de lado para que governos, estados e o setor produtivo trabalhem juntos na redução da volatilidade e na preservação de empregos, que são fundamentais para a vida das pessoas.


