O Paquistão e o Afeganistão anunciaram nesta quarta-feira (18) a suspensão das operações militares em virtude do festival islâmico de Eid-al-Fitr, que marca o fim do Ramadã. A decisão foi tomada dois dias após um ataque aéreo que atingiu um centro de reabilitação para dependentes químicos em Cabul, resultando em um número elevado de vítimas.
O governo talibã informou que mais de 400 pessoas foram mortas e 265 ficaram feridas na noite de segunda-feira (16), quando o ataque ocorreu. Entretanto, a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) relatou 143 mortos e 119 feridos no mesmo incidente. O Paquistão contestou os números apresentados pelo Talibã, afirmando que o ataque tinha como alvo “instalações militares e infraestrutura de apoio a grupos terroristas”.
O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, declarou que a suspensão das operações se deu em razão do Eid-al-Fitr, que será celebrado no final desta semana. Ele afirmou que a pausa, que terá validade da meia-noite desta quarta-feira (18) até a meia-noite de segunda-feira (23), foi uma iniciativa de Islamabad e atendeu a pedidos de Arábia Saudita, Catar e Turquia. “O Paquistão oferece este gesto de boa-fé e em conformidade com as normas islâmicas”, disse Tarar.
O Talibã também anunciou uma medida semelhante, com o porta-voz Zabiullah Mujahid afirmando que Cabul suspenderá temporariamente operações defensivas durante o Eid, mas que responderá a qualquer agressão que represente uma ameaça. Tarar ainda mencionou que 707 pessoas teriam sido mortas em ações do Paquistão contra o Afeganistão até o momento.
Antes do ataque ao centro de reabilitação, a UNAMA havia registrado 76 mortos e 213 feridos no Afeganistão, em sua maioria mulheres e crianças. O Paquistão alegou que o local do ataque era utilizado para armazenar drones. O ataque ao centro de reabilitação representa um novo ponto baixo nas relações entre os dois países, que já foram aliados, em um contexto de crescente instabilidade regional.
As autoridades afegãs afirmam que o alvo do ataque era um centro de reabilitação civil, enquanto o Paquistão sustenta que atingiu um local de armazenamento de munição e equipamentos militares. Os militares paquistaneses afirmaram que a instalação era usada para drones e equipamentos de lançamento, além de ter servido para treinamento de homens-bomba.
Especialistas independentes afirmam que é difícil determinar a verdade diante das alegações conflitantes. “Há elementos suficientes para confirmar que se tratava de uma instalação civil atingida”, disse Jacopo Caridi, diretor do Conselho Norueguês para Refugiados no Afeganistão. O conflito entre os vizinhos começou no ano passado, após o Paquistão acusar o Afeganistão de abrigar militantes que realizavam ataques no país, acusação negada pelo Talibã.


