A cidade de Nova York triplicou os gastos com a população em situação de rua desde 2019, totalizando quase R$ 368 milhões, mesmo com o aumento do número de pessoas vivendo nas ruas, segundo um relatório do controlador do estado.
Os dados da cidade mostram que a população sem abrigo cresceu de 3.588 no ano fiscal de 2019 para 4.504 no ano fiscal de 2025, um aumento de 26% em relação aos níveis pré-pandemia. Durante o mesmo período, os gastos com serviços para essa população saltaram 262%, passando de R$ 102 milhões para quase R$ 368 milhões.
Isso resulta em aproximadamente R$ 81.700 por pessoa em situação de rua no ano fiscal de 2025, um valor ligeiramente superior à renda média das famílias da cidade, embora essa comparação seja apenas um parâmetro amplo, já que os gastos públicos e a renda familiar não são diretamente comparáveis.
Os números indicam que a cidade está investindo mais recursos enquanto a população de sem-teto nas ruas continua a crescer, com os contribuintes arcando com a conta. O relatório observa que o sistema de abrigos de Nova York é incomumente grande em comparação com padrões nacionais.
Los Angeles, a cidade com a segunda maior população de sem-teto, possui cerca de 71.000 pessoas nessa situação, aproximadamente metade do total de Nova York em 2024, sendo que cerca de 70% delas estão sem abrigo. Em Nova York, por outro lado, quase 97% da população sem-teto está em abrigos.
Esses dados provavelmente intensificarão o debate mais amplo sobre a acessibilidade da habitação, uma vez que o aumento dos aluguéis e a escassez de moradias de baixo custo permanecem centrais na crise de sem-teto da cidade, além de ser uma questão chave para o prefeito Zohran Mamdani.
““Mamdani propôs congelar os aluguéis de aproximadamente 2 milhões de apartamentos estabilizados”,”
mas muitos economistas argumentam que o congelamento de aluguéis pode proteger os inquilinos atuais a curto prazo, enquanto agrava a escassez de habitação a longo prazo, sem resolver a crise de oferta que está na raiz do problema de sem-teto em Nova York.
Mais amplamente, sua proposta orçamentária de R$ 127 bilhões prevê aumentos de impostos sobre residentes e corporações ricas, além de um possível aumento de 9,5% no imposto sobre propriedades, caso os legisladores estaduais não tomem medidas. A eficácia dessa abordagem em aliviar a pressão sobre a acessibilidade ou em desestabilizar ainda mais o mercado imobiliário permanece uma questão em aberto, com críticos alertando que congelamentos de aluguéis e impostos mais altos podem desencorajar investimentos e pressionar a oferta.
No maior centro urbano do país e capital financeira global, as consequências da agenda de Mamdani vão além da política local. O sucesso ou fracasso de suas propostas de habitação e impostos pode moldar não apenas o futuro da crise de acessibilidade de Nova York, mas também o debate mais amplo sobre regulação, tributação e governança urbana progressista.
A equipe de Mamdani não respondeu ao pedido de comentário.


