A primeira rodada do novo leilão de energia promovido pelo governo federal, realizada em 18 de março de 2026, terminou com um desconto modesto em relação ao preço máximo estabelecido. O resultado sinaliza um ambiente cauteloso entre os investidores.
O certame foi coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, pela Agência Nacional de Energia Elétrica e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, e fechou com um deságio médio de cerca de 2%. Foram negociados contratos de potência, que remuneram usinas pela disponibilidade de energia, e não apenas pela geração efetiva, envolvendo principalmente térmicas e hidrelétricas.
Esse tipo de leilão ganhou destaque após alertas sobre a necessidade de reforçar a segurança do sistema elétrico, especialmente em períodos de seca ou maior demanda. O resultado garantiu a contratação da capacidade prevista, mas indica uma competição limitada.
Especialistas apontam que o baixo deságio reflete custos ainda elevados, especialmente no caso das térmicas, que são pressionadas pelo preço do combustível e por incertezas regulatórias. Além disso, parte dos empreendimentos já entra nos leilões com estrutura de custos conhecida, o que reduz a margem para lances mais agressivos.
O modelo de contratação de potência foi estruturado nos últimos anos como resposta a fragilidades expostas durante a crise hídrica de 2021, quando o país precisou acionar usinas mais caras para evitar o risco de racionamento. Desde então, o governo tenta equilibrar a expansão de fontes renováveis, como eólica e solar, com mecanismos que assegurem energia firme ao sistema.
Apesar dos esforços, o desenho dos leilões ainda enfrenta críticas. Há questionamentos sobre o custo adicional embutido nas tarifas e sobre o peso crescente das térmicas na matriz elétrica, o que pode ir na contramão de metas climáticas e pressionar o consumidor final.
A rodada desta quarta-feira reforça esse dilema: enquanto o país avança na diversificação da matriz elétrica, a garantia de suprimento continua dependente de fontes mais caras e poluentes, em um contexto de transição energética que busca equilíbrio entre segurança, custo e sustentabilidade.


