O Paquistão e o Afeganistão anunciaram um cessar-fogo nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, durante as festividades que marcam o fim do Ramadã. A trégua ocorrerá da meia-noite de quinta-feira, 19, até a meia-noite de segunda-feira, 23.
A decisão foi tomada após uma escalada no conflito entre os dois países, que há anos disputam fronteiras e intensificaram as hostilidades desde o início do ano. O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, afirmou que a trégua foi um pedido de países muçulmanos amigos, como Turquia, Arábia Saudita e Catar.
Em comunicado, Tarar descreveu a decisão como um “gesto de boa-fé e em conformidade com as normas islâmicas”. No entanto, ele alertou que, em caso de violação, as operações militares seriam retomadas com “maior intensidade”.
O porta-voz do governo afegão, Zabiullah Mujahid, também anunciou a trégua temporária na mesma rede social, reconhecendo os esforços de Doha, Ancara e Riad para negociar o acordo.
O anúncio do cessar-fogo ocorre após um bombardeio em Cabul, na segunda-feira, 16, que deixou mais de 400 mortos em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos. O governo afegão acusou o Paquistão pelo ataque, que Islamabad negou.
O ministro do Interior do Afeganistão, Sirajuddin Haqqani, lamentou as mortes e prometeu que os responsáveis pelo ataque “verão as consequências de seus crimes”, ressaltando que o Afeganistão não queria guerra, mas que a escalada do conflito levou à troca de ofensivas.
Tarar, por sua vez, classificou as acusações como “completamente infundadas”, afirmando que as forças armadas do Paquistão realizaram ataques “precisos, deliberados e profissionais” contra alvos militares e terroristas em Cabul e na província de Nangarhar.
As hostilidades entre Islamabad e Cabul se intensificaram desde 27 de fevereiro, quando as forças armadas paquistanesas atacaram a capital afegã, em resposta ao suposto apoio do Afeganistão ao grupo terrorista TTP, responsável por atentados no Paquistão.


