Perícia revela detalhes que levaram à prisão de tenente-coronel suspeito de feminicídio em SP

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O tenente-coronel Geraldo Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18), em São José dos Campos, interior de São Paulo. A prisão ocorreu após um mês de investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar, relacionadas à morte de sua esposa, Gisele Alves Santana.

Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, no Centro de São Paulo. Inicialmente, a morte foi tratada como suicídio, mas essa versão foi descartada pela investigação. Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual.

A Polícia Técnico-Científica produziu mais de 20 laudos periciais em menos de um mês, que embasaram o pedido de prisão ao indicar que Gisele foi assassinada. Entre os principais pontos da perícia, destacam-se:

“1) O disparo foi feito de baixo para cima, com o cano da arma encostado na cabeça.”

- Publicidade -

“2) Não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos de Gisele nem nas de Geraldo Neto.”

“3) A posição em que Gisele foi encontrada (caída e segurando a arma) é considerada incomum em casos de suicídio.”

“4) Gisele estaria na sala, de costas para a varanda, quando foi abordada por trás.”

“5) A vítima tentou desviar a cabeça para a esquerda, deixando marcas de defesa no rosto.”

“6) O sangue escorreu pelo ombro de Gisele e mudou de direção ao ser colocado no chão.”

- Publicidade -

“7) O tenente-coronel teria colocado a arma na mão direita dela após a morte.”

“8) O laudo apontou a presença de vestígios de sangue na bermuda usada por Neto no dia da morte.”

“9) O pedido de socorro à Polícia Militar foi feito 29 minutos após um vizinho ouvir o disparo.”

“10) Neto alegou que estava no banho no momento do tiro, mas foi encontrado com o corpo seco.”

“11) Exames com luminol detectaram sangue de Gisele no box do banheiro e em outros cômodos.”

“12) Após a perícia, três PMs mulheres foram ao imóvel para fazer a limpeza, levando à abertura de investigação por abuso de autoridade.”

“13) Exame necroscópico indicou que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada.”

A defesa de Geraldo Neto afirmou que a prisão é ilegal, alegando que a Justiça Militar não tem competência para determinar medidas invasivas como a prisão, que deveria ser decretada pela Justiça comum.

A Corregedoria da Polícia Militar conseguiu extrair do celular de Neto mensagens que revelam episódios de humilhação e controle por parte do tenente-coronel sobre Gisele. Em diálogos, Gisele expressou que era submetida a comportamentos abusivos e pediu mudanças no tratamento do marido.

O Tribunal de Justiça Militar informou que a prisão preventiva foi decretada com base na garantia da ordem pública e na conveniência da investigação.

Compartilhe esta notícia