As terras raras, até então restritas ao vocabulário técnico de especialistas, ganharam destaque nas manchetes e debates públicos nos últimos meses. Esses insumos são fundamentais para a transição energética, tecnologias digitais e segurança das nações. O Brasil precisa abordar o tema com seriedade estratégica.
Embora o nome ‘terras raras’ possa sugerir escassez, a verdadeira dificuldade reside em encontrá-las em concentrações que permitam extração viável. Esses elementos químicos são essenciais para diversas aplicações, incluindo motores elétricos, equipamentos de defesa e tecnologias de comunicação.
O Brasil possui uma diversidade geológica que favorece a exploração de depósitos minerais. Regiões como a Amazônia, Goiás, Minas Gerais e o Nordeste apresentam ocorrências conhecidas desde os anos 1970 e 1980. A matriz energética limpa do país é uma vantagem para a produção de terras raras, contribuindo para a redução de emissões de gases de efeito estufa.
Entretanto, o Brasil enfrenta desafios em termos de conhecimento geológico e maturidade da cadeia produtiva. O Serviço Geológico do Brasil possui experiência, mas enfrenta limitações em escala e orçamento. Além disso, muitas reservas são difíceis de explorar, exigindo avanços tecnológicos.
Os depósitos de argilas de absorção iônica, que impulsionaram a China na produção de terras raras pesadas, são uma oportunidade para o Brasil. Goiás já possui projetos em andamento, mas é necessário investimento em ciência, tecnologia e regulação para garantir competitividade.
A recente iniciativa do presidente Lula, que inclui cláusulas no Acordo Mercosul-União Europeia e um memorando de entendimento com a Índia, é um passo importante. O Brasil busca fortalecer cadeias de suprimento e atrair investimentos em minerais críticos, especialmente terras raras.
O objetivo é evitar ser apenas um exportador de matéria-prima e, sim, atrair processamento e inovação. O Brasil deve respeitar biomas e comunidades, adotando boas práticas de mineração e padrões rigorosos de controle ambiental.
O desafio é transformar essa oportunidade em um projeto nacional que priorize conhecimento, planejamento e responsabilidade social e ambiental, posicionando o Brasil como protagonista na nova economia.


