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Saúde

Mortes por câncer colorretal no Brasil devem aumentar quase três vezes até 2030

Amanda Rocha
Última atualização: 18 de março de 2026 16:50
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
Mortes por câncer colorretal no Brasil devem aumentar quase três vezes até 2030
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O número de mortes por câncer colorretal no Brasil deve aumentar quase três vezes entre 2026 e 2030, em comparação com dados de 2001 a 2005. Pesquisadores estimam que cerca de 127 mil pessoas vão morrer devido à doença nesse período, em contraste com 57,6 mil óbitos ocorridos anteriormente.

Os dados foram publicados na revista The Lancet Regional Health Americas e indicam um aumento de 181% nas mortes entre homens e 165% entre mulheres. Ao longo do período de 2001 a 2030, as mortes pela doença devem ultrapassar 635 mil.

A pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Marianna Cancela, explica que o aumento da mortalidade acompanha a alta de casos da doença. O câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais incidente e o terceiro mais mortal no país. Segundo Marianna, isso se deve ao envelhecimento da população e a hábitos nocivos, como o consumo excessivo de ultraprocessados e a falta de atividade física.

““E esse é um risco que tem iniciado cada vez mais cedo, já desde criança. Com isso, a gente vê não só o aumento dos casos de câncer colorretal, como também o aumento de casos em pacientes mais jovens”, disse Marianna.”

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Outro fator que contribui para a alta mortalidade é que cerca de 65% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, dificultando o tratamento. A doença não costuma manifestar sintomas no início, e há dificuldades de assistência adequada, especialmente em regiões remotas e menos desenvolvidas.

Os pesquisadores defendem a redução das desigualdades e a adoção de um programa de rastreamento gradual, com exames preventivos que detectem a doença antes do início dos sintomas. Eles também ressaltam a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

A pesquisa também avaliou os custos sociais e econômicos da mortalidade por câncer colorretal. Em média, as mulheres que morreram por esse câncer perderam 21 anos de vida, enquanto os homens perderam 18 anos. Entre 2001 e 2030, as mortes pela doença somam 12,6 milhões de anos potenciais de vida perdidos e Int$ 22,6 bilhões em perdas de produtividade.

““Os dados são importantes para mostrar qual a dimensão do câncer para a sociedade, além das vidas perdidas. E também servem para embasar políticas públicas”, afirmou Marianna.”

O estudo encontrou diferenças regionais significativas. As regiões Sul e Sudeste concentram cerca de três quartos das mortes, mas os maiores aumentos relativos na mortalidade e na perda de produtividade devem ocorrer nas regiões Norte e Nordeste. Os pesquisadores atribuem isso a indicadores socioeconômicos e de infraestrutura piores nessas regiões.

O padrão alimentar no Brasil tem piorado, com redução do consumo de alimentos saudáveis e aumento do consumo de alimentos processados. A promoção de estilos de vida saudáveis como política pública permanece um desafio, mas deve ser uma estratégia primária para prevenir e controlar o câncer colorretal e outras doenças crônicas não transmissíveis.

TAGGED:Câncercâncer colorretalIncaInstituto Nacional do CâncerMarianna Cancela
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