A guerra no Oriente Médio intensificou-se nesta quarta-feira (18), com ataques a instalações energéticas no Golfo Pérsico. Os preços do petróleo dispararam, com o barril do tipo Brent alcançando quase US$ 110, o maior nível desde o início de março, antes de recuar para cerca de US$ 107.
Esse aumento reflete a crescente preocupação do mercado com a segurança da oferta em uma região que é responsável por uma parte significativa da produção mundial de petróleo e gás. A escalada se deu após o Irã relatar que seu principal campo de gás, o South Pars, foi atingido por bombardeios atribuídos a Israel.
Em resposta, o Irã lançou mísseis contra alvos energéticos no Golfo, incluindo o complexo de Ras Laffan, no Catar, o maior terminal de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo. A estatal QatarEnergy informou que os ataques causaram “danos extensos” e incêndios na área industrial, que representa cerca de um quinto do comércio global de GNL.
A troca de ataques marca uma mudança no conflito, que até então havia evitado atingir diretamente a infraestrutura energética. Analistas do setor indicam que essa mudança aumenta significativamente o risco de um choque prolongado nos preços de energia, com potenciais efeitos inflacionários.
Além do petróleo, os preços do gás natural na Europa subiram cerca de 6%, evidenciando a dependência do continente em relação às importações de GNL. A tensão se espalhou pela região, com autoridades da Arábia Saudita relatando a interceptação de mísseis lançados contra Riad, resultando em feridos em uma área residencial.
Nos Emirados Árabes Unidos, drones atingiram instalações energéticas, afetando o tráfego aéreo. No Líbano, os ataques israelenses se intensificaram, com explosões registradas em Beirute. Em Israel, dois civis morreram devido a um ataque iraniano com mísseis.
Os mercados financeiros também foram impactados, com bolsas nos Estados Unidos e na Europa em queda, enquanto investidores buscam ativos mais seguros. Bancos centrais alertam para o risco de um novo choque inflacionário se os preços do petróleo permanecerem altos.
A Casa Branca afirmou ter conhecimento prévio do ataque israelense ao campo de South Pars, mas negou participação direta. O Irã prometeu retaliação e indicou que pode utilizar “armas mais modernas” nos próximos dias. O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, é um ponto crítico, e autoridades americanas avaliam que o Irã pode usá-lo como instrumento de pressão.
Especialistas afirmam que o conflito agora entra em uma fase de “guerra econômica”, onde energia e logística global se tornam alvos centrais. O impacto pode se estender além do Oriente Médio, afetando cadeias de suprimento, inflação e crescimento econômico em várias regiões.


