O tenente-coronel Geraldo Neto foi preso sob suspeita de matar sua esposa, a PM Gisele Alves Santana. Mensagens extraídas do celular de Geraldo pela Corregedoria da Polícia Militar indicam que Gisele foi agredida fisicamente por ele 13 dias antes de sua morte, ocorrida no apartamento onde o casal vivia, no Brás, região central de São Paulo.
No dia 6 de fevereiro, Gisele enviou mensagens ao marido afirmando que ele estava “sempre caçando um motivo para brigar” e que a havia agredido e gritado com ela no dia anterior. “Você enfiou a mão na minha cara ontem. Gritou comigo hoje”, escreveu Gisele. Ela foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro.
A Corregedoria informou que as mensagens revelam episódios de violência física e psicológica. “A expressão ‘enfiou a mão’ em seu rosto, no contexto do diálogo, indica possível agressão física sofrida pela vítima”, afirmaram os investigadores. O crime, inicialmente classificado como suicídio, foi reclassificado após a denúncia da família sobre o relacionamento conturbado do casal.
Laudos periciais concluíram que Gisele não se matou, mas foi vítima de homicídio. O tenente-coronel foi indiciado por feminicídio e fraude processual, sendo preso em São José dos Campos após a Justiça Militar autorizar sua detenção.
Em mensagens adicionais, Gisele relatou episódios de humilhação e comportamento machista por parte de Geraldo, que a acompanhava no trabalho e a tratava de forma desrespeitosa. Ela expressou sua insatisfação com o tratamento e pediu mudanças em seu comportamento.
Geraldo Neto fez declarações machistas, afirmando que “lugar de mulher é em casa, cuidando do marido”. A Corregedoria destacou que os diálogos indicam um relacionamento baseado em submissão e controle, caracterizando violência psicológica reiterada.
A Justiça Militar decretou a prisão preventiva de Geraldo, considerando a necessidade de preservar a ordem pública e a gravidade dos fatos. Ele será interrogado e passará por exames de corpo de delito antes de ser transferido para o Presídio Militar Romão Gomes.
Laudos periciais, incluindo o necroscópico, apontaram que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada. A trajetória da bala e outros exames descartaram a possibilidade de suicídio, levando a polícia a concluir que o tenente-coronel cometeu o crime por ciúmes e possessividade.


