Equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizaram uma operação nas comunidades dos Prazeres, Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos, no Centro do Rio de Janeiro, na tarde de 18 de março de 2026. Durante a ação, os agentes mataram Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló, que era apontado pela polícia como chefe do tráfico no Morro dos Prazeres.
A operação foi planejada para combater crimes relacionados a roubos de veículos e ao tráfico de drogas. Mais de 150 agentes participaram da ofensiva, que contou com o apoio de 14 viaturas e dois veículos blindados. Policiais do 5º BPM também estiveram envolvidos na ação, que foi baseada em informações da Subsecretaria de Inteligência da corporação.
A prefeitura do Rio de Janeiro atuou na região e, por determinação do prefeito Eduardo Paes, removeu um mural em homenagem a Carlos Pablo Rodrigues Quintanilha, morto em 2019. Ele era filho de Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, que é apontado como chefe do Comando Vermelho na área. O mural estava localizado próximo à Escadaria Selarón, um dos principais pontos turísticos da cidade.
Em decorrência da operação, sete escolas da rede municipal suspenderam suas atividades. Três delas estão localizadas no Fallet-Fogueteiro, duas na Coroa, uma no Escondidinho e uma nos Prazeres. Na área da saúde, uma unidade de Atenção Primária deixou de funcionar, enquanto outras três mantiveram atendimento interno, mas sem atividades externas, como visitas domiciliares.
O Centro de Operações e Resiliência informou sobre interdições em vias do Catumbi e do Rio Comprido, incluindo as ruas Itapiru, Barão de Petrópolis e Estrela, além da Avenida Paula de Frontin. Jiló acumulava 135 anotações criminais e tinha dez mandados de prisão em aberto, com registros que incluem tráfico de drogas, homicídio, sequestro, cárcere privado e roubo. Sua trajetória criminal começou na década de 1990.
O nome de Jiló também está vinculado ao assassinato do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, que foi morto em dezembro de 2016 após entrar por engano no Morro dos Prazeres. Segundo investigações, Bardella e um primo estavam em motos separadas quando acessaram a comunidade. O primo foi forçado a acompanhar o corpo de Bardella dentro de um carro por cerca de duas horas antes de ser liberado. Jiló havia deixado a prisão cerca de 30 dias antes do assassinato do turista, após progressão de pena.
Na terça-feira, 17 de março, policiais civis e militares já haviam realizado a Operação Colmeia, na Lapa e em comunidades próximas, em busca de Abelha, que suspeitava-se estar escondido na Rocinha, na Zona Sul do Rio. Ele não foi localizado, mas 17 pessoas foram presas durante a operação.
Na manhã de 18 de março, um ônibus foi incendiado como reação à morte de Jiló, provocando a interdição da Avenida Paulo de Frontin, no sentido Túnel Rebouças, na altura da Rua do Bispo, no Rio Comprido. O incêndio causou reflexos importantes no trânsito. O Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) informou que o acesso ao Túnel Santa Bárbara pelo Elevado 31 de Março foi interditado. A prefeitura orientou motoristas a utilizarem o Túnel Rebouças ou o Aterro do Flamengo como rotas alternativas. O transporte público também foi afetado, com pelo menos dez linhas tendo seus itinerários alterados no Rio Comprido e em Santa Teresa.

