A Câmara dos Representantes aprovou na quarta-feira uma legislação para combater a fraude de assistência social por imigrantes ilegais. A votação resultou em 231 votos a favor e 186 contra, com a maioria dos democratas se opondo à medida.
O projeto de lei, intitulado Deporting Fraudsters Act, foi patrocinado pelo deputado David Taylor, do Partido Republicano de Ohio, e visa emendar a Lei de Imigração e Nacionalidade para definir explicitamente a fraude como uma ofensa passível de deportação. Os republicanos afirmaram que a legislação é necessária para garantir que não cidadãos que roubam dinheiro dos contribuintes não sejam mais elegíveis para serviços de alívio imigratório ou proteções legais.
“Se você admitir ou for condenado por receber benefícios públicos de forma fraudulenta, você será enviado embora no próximo avião e nunca poderá retornar”, afirmou o deputado Tom McClintock, do Partido Republicano da Califórnia, durante a discussão na Câmara.
Os legisladores democratas se opuseram amplamente ao projeto, argumentando que não cidadãos condenados por fraude já são elegíveis para deportação. “Mais uma semana, mais um projeto de lei sobre crimes de imigração redundante e completamente desnecessário”, disse o deputado Jamie Raskin, do Partido Democrata de Maryland, durante o debate.
Os democratas também criticaram a medida por erodir os direitos de devido processo dos imigrantes legais, permitindo que não cidadãos sejam deportados antes que os promotores consigam uma condenação. “Ao contornar a exigência de condenação, esta legislação daria um cartão livre para imigrantes que cometem fraude, deportando-os sem passar pelo sistema de justiça criminal e sem dar aos seus vítimas um dia em tribunal”, afirmou Raskin.
Os republicanos contra-argumentaram que não há linguagem no projeto que impeça não cidadãos de serem processados por fraude alegada antes da remoção do país. O projeto de lei provavelmente não avançará no Senado, dada a ampla oposição dos democratas. Sob as regras do Senado, a maioria das legislações deve superar um limite de 60 votos para avançar para uma votação final.
A votação segue um aumento da fiscalização por parte dos republicanos da Câmara sobre fraudes de assistência social em todo o país. O Comitê de Supervisão da Câmara lançou em dezembro uma investigação sobre fraudes massivas envolvendo programas de serviços sociais de Minnesota. Promotores federais afirmam que até R$ 9 bilhões em dinheiro dos contribuintes podem ter sido roubados em vários esquemas de fraude e quase 100 indivíduos foram acusados, incluindo muitos de origem somali.
Os republicanos da Câmara também destacaram reportagens do jornalista independente Nick Shirley, que investigou alegações de fraude em creches em Minnesota e na Califórnia. “Já vimos por que a ação é necessária”, disse a deputada Claudia Tenney, do Partido Republicano de Nova York, na terça-feira, durante uma coletiva de imprensa da liderança republicana da Câmara. “O jornalista independente Nick Shirley ajudou a expor um esquema de fraude massivo, mostrando como esses golpes podem se tornar organizados e generalizados, mesmo quando a supervisão falha.”


