Mulher de homem morto no Morro dos Prazeres contesta versão da polícia sobre operação

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Roberta Ferro Hipólito, esposa de Leandro Silva Souza, morto em uma operação no Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro, contestou a versão da polícia sobre o ocorrido. O incidente aconteceu na quarta-feira, 18 de março de 2026.

Roberta afirmou que ela e o marido não foram feitos reféns pelos criminosos que estavam na casa. Segundo ela, os suspeitos pretendiam se entregar e foram mortos sem reagir. “Em momento algum a gente foi feito de refém. Não fomos ameaçados. Eles falaram assim ‘tia, não se preocupe, se a polícia vim a gente vai se entregar, mas fica calada, a gente vai se entregar’”, disse Roberta na porta do Instituto Médico-Legal (IML), onde o corpo de Leandro foi levado.

Ela relatou que a polícia entrou na residência usando uma granada e atirando, afirmando que o único tiro disparado foi da polícia. “O único tiro que teve lá foi o da polícia, não teve troca de tiro”, declarou. Roberta detalhou que a polícia destruiu a porta de sua casa com uma granada e já entrou atirando, enquanto seu marido ainda gritou que havia moradores no local.

Um vídeo gravado por uma moradora mostra o estado do imóvel, com cápsulas de fuzis e marcas de sangue espalhadas pelo chão. A polícia, por sua vez, afirmou que seis criminosos invadiram a casa e fizeram o casal refém, resultando em um confronto que terminou com a morte dos suspeitos e de Leandro.

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““Uma ação covarde. Eles entraram na residência, colocaram um casal como refém. E quando adentramos o imóvel começou uma negociação preliminar”, afirmou o comandante do Batalhão de Operação Especiais (Bope), Marcelo Corbage.”

O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, também comentou que houve uma tentativa de negociação, mas que os criminosos reagiram, resultando na morte de Leandro e dos suspeitos. Roberta contestou o número de criminosos, afirmando que eram quatro e que três morreram.

O irmão de Leandro, Ivanildo da Silva Souza, que mora ao lado, acompanhou a ação e disse que não houve negociação da polícia com os criminosos. “Se eles tivessem refém, teriam que chamar negociador”, afirmou.

Roberta foi ouvida pela polícia no IML e o caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Outras testemunhas também devem ser ouvidas. A polícia ainda não se manifestou sobre as declarações de Roberta.

Além dos seis mortos na casa, a operação resultou na morte de Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres, apontado como chefe do tráfico na região, que tinha uma extensa ficha criminal.

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Após a operação, criminosos atearam fogo a ônibus e bloquearam acessos no Rio Comprido, resultando na prisão de pelo menos seis deles.

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