Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronel da Polícia Militar, foi acusado de feminicídio após a morte de sua esposa, Gisele Alves Santana, encontrada baleada em seu apartamento em 18 de fevereiro de 2026.
Dois dias antes da morte, Geraldo enviou mensagens em que se descrevia como um “macho alfa” e afirmava que Gisele deveria ser uma “fêmea submissa”. Essas informações foram extraídas do celular do oficial e estão na denúncia apresentada pelo Ministério Público, que foi aceita pela Justiça nesta terça-feira (18).
Na denúncia, o Ministério Público alega que Geraldo mantinha um comportamento agressivo com Gisele. Em mensagens, ela relatou agressões e criticou o relacionamento, afirmando: “Você não me respeita; não sabe conversar; ontem enfiou a mão na minha cara”.
“”Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”, escreveu Geraldo.”
A acusação de feminicídio inclui motivos torpes e o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, o tenente-coronel é acusado de fraude processual, por supostamente tentar simular um suicídio após o crime.
Geraldo foi preso pela Polícia Militar em sua residência em São José dos Campos, interior de São Paulo. O crime teria ocorrido por volta das 7h28, durante uma discussão, quando ele teria disparado contra a cabeça da vítima. A acusação afirma que ele manipulou a cena do crime para parecer um suicídio.
O Ministério Público também aponta que houve demora no acionamento do socorro, com Geraldo chamando ajuda cerca de meia hora após o disparo, período em que ele teria alterado a cena do crime. O relacionamento entre o casal era descrito como marcado por violência, com episódios de agressões físicas e psicológicas.
Gisele havia pedido ajuda aos pais dias antes de sua morte, afirmando que não suportava mais a relação. A acusação sugere que o desejo de Gisele de se divorciar pode ter motivado o feminicídio.
O caso, inicialmente registrado como suicídio, foi reclassificado como morte suspeita e, posteriormente, como possível feminicídio, após laudos periciais e contradições na versão apresentada por Geraldo. A Justiça decretou sua prisão preventiva e o caso será analisado pelo Tribunal do Júri.


