O Tesouro Nacional interveio no mercado de títulos públicos pelo terceiro dia consecutivo, totalizando R$ 49 bilhões em recompras no ano de 2026. No leilão realizado nesta quarta-feira, 18 de março, o órgão recomprou 4 milhões e 420 mil títulos do tipo NTNF (Notas do Tesouro Nacional), com vencimentos entre 2033 e 2035.
A estratégia visa dar suporte ao mercado e assegurar o bom funcionamento das negociações em um período de alta volatilidade. Lucinda Pinto, analista de economia, destacou que esta é a maior intervenção em pelo menos 13 anos, superando até mesmo os índices observados durante a pandemia.
““Não é um problema, porque o Tesouro tem um colchão de liquidez muito grande. O último relatório do Tesouro mostrava que o colchão de liquidez é quase de 1,2 trilhão de reais”, explicou Lucinda.”
O valor recomprado representa cerca de um quinto do total de títulos prefixados vendidos pelo Tesouro neste ano, que somam R$ 280 bilhões. A volatilidade no mercado, impulsionada principalmente pela guerra no Oriente Médio, pegou os investidores de surpresa, em um momento de alta exposição a títulos prefixados.
O Tesouro vinha adotando uma estratégia de venda de títulos prefixados para se proteger de futuras oscilações, possivelmente relacionadas ao período eleitoral. Lucinda comentou que o órgão estava realizando ofertas grandes de títulos prefixados, tentando substituir papéis pós-fixados por prefixados, em um cenário onde o mercado deveria estar mais disposto a adquirir esses títulos devido ao corte de juros.
““Ele estava fazendo ofertas muito grandes de títulos prefixados, tentando substituir o papel pós pelo pré, num momento em que o mercado deveria ter um pouco mais de vontade de comprar títulos pré-fixados por conta desse cenário de corte de juros”, explicou Lucinda.”
O colchão de liquidez do Tesouro é suficiente para cobrir vencimentos por aproximadamente sete meses, permitindo que o órgão honre seus compromissos mesmo sem a venda de novos títulos. Um grande vencimento de LFT (Letras Financeiras do Tesouro) ocorreu no início de março, e outro está previsto para setembro.
Especialistas do mercado elogiaram a postura do Tesouro na recompra, considerando-a tão ousada quanto a venda. Contudo, também apontaram que houve um excesso na oferta de títulos prefixados. Lucinda comentou sobre a percepção dos dealers, que indicaram ao Tesouro que a oferta estava excessiva.
““Os dealers estavam indicando para o Tesouro que estava indo longe demais essa oferta”, comentou Lucinda.”

