A Justiça do Rio de Janeiro autorizou o prosseguimento das obras de revitalização do Jardim de Alah, parque localizado entre Ipanema e Leblon, na Zona Sul da cidade. A decisão foi proferida pela Quarta Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que negou por unanimidade um recurso do Ministério Público e da Associação dos Moradores e Defensores do Jardim de Alah, que solicitavam a suspensão do projeto.
No julgamento, os desembargadores destacaram a importância da revitalização da área, considerada um espaço simbólico tanto para moradores quanto para turistas. O recurso do Ministério Público Federal (MPF) buscava barrar a continuidade das intervenções, mas foi rejeitado pelo colegiado, que concluiu não haver impedimentos para a sequência das obras neste momento.
O consórcio Rio+Verde, responsável pelo projeto, emitiu uma nota afirmando que dará continuidade aos trabalhos respeitando todas as exigências legais e ambientais. O grupo reafirmou o compromisso de entregar o parque requalificado à população até o final de 2027.
A revitalização visa modernizar a infraestrutura e ampliar o uso público do Jardim de Alah, mantendo suas características ambientais e históricas. O caso está sendo questionado na justiça desde agosto de 2023, quando o consórcio Rio Mais Verde venceu a licitação. O MPRJ alegou que a concessão contrariava a Lei Orgânica do Município, que proíbe concessões de praças e bens de uso comum.
O Jardim de Alah é um parque público tombado, com 93,6 mil metros quadrados, que conecta Ipanema e Leblon, ligando a Lagoa Rodrigo de Freitas ao mar por um canal. A empresa vencedora da licitação poderá explorar a área por 35 anos e assumirá os custos das obras.
Inicialmente, a revitalização foi estimada em R$ 112,6 milhões, mas o projeto vencedor propôs um investimento de R$ 85 milhões. Em troca, o consórcio poderá explorar comercialmente a área, com a instalação de quiosques e lojas, mantendo o acesso gratuito ao parque.
O projeto inclui novas pontes sobre o canal, recuperação de jardins, melhorias nas ciclovias, lojas, quiosques com bares e restaurantes, infraestrutura de estacionamento, integração total do parque com o bairro, reconstrução de uma creche pública, um playground para a escola municipal ao lado e quadras poliesportivas para as escolinhas de esporte na Cruzada São Sebastião, além de parcerias com clubes da região. O parque manterá parte de suas estruturas e ganhará um toque de arquitetura contemporânea, com a ideia de reunir obras ao longo dos anos para um museu a céu aberto.


