O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, na última terça-feira, 17 de março de 2026, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo-a em 14,75%. Esta decisão marca o início do ciclo de queda na taxa básica de juros em um contexto de incertezas no cenário econômico global.
Reinaldo Le Grazie, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, avaliou a decisão como acertada.
““O Banco Central não pode ser mais nervoso que o mercado. O Banco Central passou serenidade e demonstrou isso”,”
afirmou Le Grazie. Ele destacou que a redução de 0,25 ponto em uma taxa de 15% não é um movimento significativo, mas transmite tranquilidade ao mercado brasileiro.
Apesar do início do ciclo de queda, Le Grazie ressaltou que a política monetária brasileira continua contracionista.
““Não há a menor dúvida que vamos continuar com uma política monetária contracionista. Para deixar de ser contracionista, precisaria cair bastante”,”
explicou. O especialista também mencionou que o Brasil enfrenta uma política macroeconômica desequilibrada, com um fiscal forte e expansivo, o que requer juros elevados para conter pressões inflacionárias.
Outro ponto importante levantado por Le Grazie foi a mudança na comunicação do Banco Central, que agora utiliza o termo “calibração” em vez de “flexibilização”.
““Calibração é porque a taxa de juro real era bastante contracionista, a inflação caiu um pouco e a taxa subiu, portanto a taxa de juro real subiu. Então ele está fazendo esse ajuste na taxa. Isso para mim é um pouco mais calibragem do que flexibilidade”,”
analisou.
Quanto aos próximos passos da política monetária, Le Grazie acredita que o ritmo de cortes pode acelerar para 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões, caso o cenário atual se mantenha ou apresente leve melhora. Ele estima que os cortes devem continuar até que a taxa Selic chegue a cerca de 12% ao ano, o que poderia ocorrer por volta de novembro ou dezembro.
““Acho que o ritmo de 50 pontos-base é o ritmo que dá conforto. Minha opinião é de que vai ser 50 pontos-base daqui em diante, até uns 12,5%, 12%”,”
afirmou o ex-diretor do BC.
Le Grazie também comentou sobre o cenário externo, especialmente a postura do Fed (Federal Reserve). Segundo ele, é possível que o Fed não reduza suas taxas de juros em 2026, mas isso não impediria o Brasil de continuar seu ciclo de cortes, dada a grande diferença entre as taxas de juros dos dois países.


