O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) anunciou um corte de 0,25 ponto na Selic, reduzindo a taxa básica de juros do país para 14,75% ao ano. Esta é a primeira redução desde maio de 2024 e reflete uma postura cautelosa da autarquia, segundo analistas.
Reinaldo Le Grazie, ex-diretor de Política Monetária do BC e sócio da Panamby Capital, afirmou que “o Banco Central não pode ser mais nervoso que o mercado”. O comunicado do Copom descreve o movimento como um “ciclo de calibração da política monetária”.
Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors, destacou que a decisão indica uma recalibração técnica dos juros, não um ciclo de afrouxamento acelerado. “A Selic deve permanecer em nível restritivo por mais tempo”, afirmou.
Le Grazie também comentou sobre a incerteza causada pela guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Essa situação afetou o mercado e esfriou as expectativas de cortes de juros.
Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, observou que o Copom mudou sua linguagem ao mencionar explicitamente “acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio”. Ele avaliou que, apesar do corte, o tom foi mais cauteloso, com projeções piores e a ausência de forward guidance.
Saadia acredita que, se o conflito arrefecer e o preço do petróleo cair abaixo de US$ 80, mais cortes de 0,25 ponto podem ocorrer, com a taxa chegando a 13,25% até o final do ano. Le Grazie, por sua vez, prevê um corte de 0,5 ponto na próxima reunião do Copom, mas ressalta a necessidade de mais informações.
Por outro lado, alguns analistas consideram que o Copom enviou um sinal mais brando do que o esperado, com uma balança de riscos mais leve do que o mercado projeta. Luciano Sobral, sócio e economista-chefe da Neo Investimentos, afirmou que o comitê adotou uma visão mais “dove” em relação ao cenário atual.


