Cerca de 4,9 milhões de crianças em todo o mundo morreram antes de completar cinco anos em 2024, incluindo 2,3 milhões de recém-nascidos. O relatório Levels & Trends in Child Mortality (Níveis e tendências da mortalidade infantil), produzido pelo Grupo Interagencial das Nações Unidas (UN IGME), aponta que a maioria dessas mortes poderia ter sido evitada com intervenções de baixo custo e acesso a serviços básicos de saúde.
Embora as mortes nessa faixa etária tenham caído mais da metade desde o ano 2000, a redução desacelerou drasticamente. Desde 2015, a velocidade de queda na mortalidade infantil diminuiu mais de 60%, gerando um alerta para governos e organizações internacionais.
No Brasil, o cenário é diferente, com avanços históricos que contrabalançam crises. Em 2024, o país alcançou as menores taxas de mortalidade neonatal e infantil dos últimos 34 anos. Em 1990, 25 em cada mil bebês morriam antes de completar 28 dias; hoje, esse número caiu para sete. A probabilidade de uma criança falecer antes do quinto aniversário também caiu de 63 para 14,2 mortes a cada mil nascidos vivos.
Esses resultados são atribuídos a políticas públicas como o Programa Saúde da Família e a expansão da rede pública de saúde, com apoio de órgãos como o Unicef. Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição no Brasil, afirmou:
““Essa mudança foi possível porque o Brasil escolheu investir em políticas que funcionam, como a vacinação e o incentivo à amamentação.””
No entanto, Phebo alertou que o Brasil não está imune à tendência global de desaceleração. Entre 2000 e 2009, a mortalidade de recém-nascidos caía 4,9% ao ano, mas essa taxa de redução baixou para 3,16% na última década. O desafio é acelerar os esforços para alcançar populações onde as políticas ainda não têm eficácia.
O relatório da ONU também destaca a desnutrição aguda grave, que vitimou mais de 100 mil crianças de até cinco anos em 2024. A fome enfraquece o sistema imunológico, aumentando a vulnerabilidade a doenças como pneumonia e diarreia. A desigualdade geográfica é evidente, com a África Subsaariana concentrando 58% das mortes infantis, enquanto o Sul da Ásia enfrenta complicações do primeiro mês de vida.
Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, enfatizou:
““Nenhuma criança deveria morrer por causas evitáveis, especialmente em um momento de cortes no orçamento global.””
Russell destacou que, com investimento sustentado e vontade política, é possível continuar os avanços na saúde infantil.
O relatório também aponta que o investimento em saúde infantil é altamente custo-efetivo, com retornos de até vinte dólares para cada dólar investido. Além disso, traz dados preocupantes sobre adolescentes e jovens de até 24 anos, onde a violência é responsável por quase metade das mortes de meninos entre 15 e 19 anos, enquanto doenças não-transmissíveis lideram as causas de óbito entre meninas da mesma faixa etária.
As recomendações do relatório incluem tornar a sobrevivência infantil uma prioridade política, focar nas regiões de maior risco e fortalecer os sistemas de atenção primária para garantir que o progresso continue e recupere o ritmo necessário para salvar milhões de vidas futuras.

