Decisão da CAF revoga título da AFCON de Senegal e gera polêmica

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou na noite de terça-feira que revogou o título da Copa Africana de Nações (AFCON) conquistado por Senegal, declarando Marrocos como campeão após uma decisão controversa.

A decisão ocorreu 59 dias após o capitão senegalês Sadio Mané erguer o troféu, enquanto os jogadores de Marrocos lamentavam a derrota em uma final marcada por tensões. A CAF concedeu a vitória por 3 a 0 a Marrocos, chocando o mundo do futebol e levantando questionamentos sobre a desconexão dos dirigentes em relação à realidade do jogo.

Para entender a polêmica, é necessário relembrar os eventos da final, onde Senegal deixou o campo em protesto após a marcação de um pênalti para Marrocos nos minutos finais, quando o placar estava 0 a 0. A decisão ocorreu logo após um gol senegalês ter sido anulado, gerando confusão. O técnico Pape Thiaw ordenou que seus jogadores saíssem do gramado, mas após uma longa paralisação, eles retornaram e assistiram Brahim Díaz desperdiçar o pênalti. Senegal então marcou o gol da vitória na prorrogação, conquistando o título pela segunda vez.

A federação marroquina, inconformada com a derrota, anunciou que avaliaria medidas legais contra a saída de Senegal do campo, alegando impacto direto no resultado. A CAF havia aplicado punições a jogadores e membros das comissões técnicas das duas seleções, mas após um recurso de Marrocos, a entidade decidiu reverter o resultado, alegando que Senegal “abandonou” a partida. A CAF citou o Artigo 82 do regulamento, que prevê derrota para equipes que se recusam a jogar ou deixam o campo sem autorização.

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Apesar de Senegal ter retornado e vencido a partida, a federação marroquina se distanciou da decisão, afirmando que não pretendia contestar o desempenho esportivo das equipes. Senegal, por sua vez, anunciou que recorrerá à Corte Arbitral do Esporte (CAS), considerando a decisão injusta.

Enquanto isso, jogadores de Senegal relembram as comemorações do título nas redes sociais. O meio-campista Idrissa Gueye afirmou: “Sabemos o que vivemos naquela noite em Rabat. E ninguém pode tirar isso de nós”. A decisão da CAF pode ser celebrada por alguns em Marrocos, mas muitos sentem um vazio, já que a vitória em campo já havia sido vivida de outra forma.

O caso deve se arrastar no CAS por meses, mas o que ocorreu após o apito final dificilmente será apagado. O futebol se decide no campo, e tentativas de mudar isso podem afastar os torcedores do jogo.

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