Perícia aponta que PM Gisele não alcançaria arma guardada por tenente-coronel

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A reconstituição do crime realizada pela Corregedoria da Polícia Militar concluiu que a soldado PM Gisele Alves Santana não conseguiria alcançar a arma de fogo que, segundo seu marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, estava guardada sobre um armário no quarto do casal.

No dia 18 de fevereiro, Gisele foi encontrada caída no chão, com um tiro na cabeça, na sala do apartamento onde vivia com o marido, localizado no Centro de São Paulo. Ela chegou a ser socorrida, mas a morte foi constatada no hospital.

O laudo pericial, elaborado pelo Instituto de Criminalística, indicou que uma pessoa com a altura de Gisele (1,65 metro), mesmo se esticando nas pontas dos pés, alcançaria no máximo 1,73 metro, que é inferior a 1,96 metro, altura até a base onde a arma estava apoiada. O guarda-roupa tem altura total de 2,04 metros.

A conclusão da perícia contraria a versão apresentada por Geraldo em depoimento, que afirmou que a esposa teria retirado a arma do local antes do disparo que a matou. O tenente-coronel foi preso no dia 18 de março, após a Justiça Militar decretar sua prisão preventiva, acusado de feminicídio e fraude processual.

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Na simulação realizada no apartamento, Geraldo relatou que, na manhã do dia do crime, comunicou à esposa sua intenção de se separar. Segundo ele, houve uma discussão, e Gisele o empurrou para fora do quarto, fechando a porta em seguida.

““Não dá para entender. Você pediu para eu não ir embora. Eu fico e você continua igual, até pior, com seu tratamento”, escreveu Gisele em mensagens trocadas com o marido.”

A Corregedoria da PM extraiu do celular de Geraldo trocas de mensagens que revelam episódios de humilhação e comportamento abusivo por parte do tenente-coronel. Em um dos diálogos, Gisele afirmou que Geraldo deveria mudar seu comportamento “babaca” e “sem escrúpulos”.

O tenente-coronel fez declarações machistas, afirmando que “lugar de mulher é em casa, cuidando do marido”. A Corregedoria da PM considerou que os diálogos evidenciam uma “concepção de relacionamento baseada em submissão e hierarquia no âmbito doméstico”, caracterizando indícios de violência psicológica reiterada.

A Justiça Militar decretou a prisão preventiva de Geraldo com base na garantia da ordem pública e na necessidade de preservação da hierarquia e disciplina militares. O juiz militar destacou o risco de interferência nas investigações e a gravidade dos fatos apurados.

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O tenente-coronel foi preso em São José dos Campos e, após a detenção, sua defesa alegou que a prisão não poderia ter sido feita pela Justiça Militar. O advogado Eugênio Malavasi afirmou que a Justiça Militar é incompetente para analisar o caso e que um conflito de competência será suscitado.

Os laudos periciais anexados ao inquérito foram determinantes para a prisão de Geraldo, incluindo a trajetória da bala e a profundidade dos ferimentos encontrados. O necroscópico indicou que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada.

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