Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Cambridge indica que o uso recreativo de drogas ilícitas pode mais do que dobrar o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A meta-análise, que envolveu mais de 100 milhões de participantes, foi publicada na revista científica ‘International Journal of Stroke’, da World Stroke Organization (WSO).
Os resultados da pesquisa mostraram que os usuários de anfetamina têm 122% mais chances de sofrer um AVC em comparação àqueles que não utilizam a droga. Além disso, usuários de cocaína e cannabis apresentam riscos aumentados de 96% e 33%, respectivamente. No entanto, a relação não foi observada para os opioides.
“‘Esta é a análise mais abrangente já realizada sobre uso de drogas recreativas e risco de AVC e fornece evidências convincentes de que drogas como cocaína, anfetaminas e cannabis são fatores de risco causais para o AVC’, afirmou Megan Ritson, pesquisadora da Universidade de Cambridge e primeira autora do estudo.”
A análise utilizou uma técnica chamada randomização mendeliana, que avalia a relação causal entre o uso de substâncias e o risco de AVC. Os pesquisadores identificaram mecanismos biológicos que explicam essa relação, como a constrição dos vasos cerebrais e flutuações na pressão arterial associadas ao uso de cannabis, elevações súbitas da pressão arterial e vasoespasmo relacionados à cocaína, e arritmias e vasoconstrição cerebral ligadas ao uso de anfetaminas.
Os diferentes tipos de drogas também foram associados a diferentes tipos de AVC. O uso de cannabis elevou o risco de AVCs por doenças de grandes artérias, enquanto a cocaína foi mais relacionada a AVCs cardioembólicos. O uso de anfetaminas teve maior associação com AVCs hemorrágicos, embora também aumentasse o risco para todos os tipos de AVC.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados servem como um alerta para a saúde pública. ‘Em conjunto, os achados reforçam a importância de avaliar o uso de substâncias ao investigar o risco de AVC’, destacaram na conclusão do trabalho. Eles enfatizam a necessidade de medidas de saúde pública para reduzir o abuso de drogas como estratégia de prevenção do AVC.
O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. No Brasil, em 2025, um brasileiro morria a cada seis minutos devido a essa condição, totalizando mais de 64 mil mortes entre janeiro e outubro. O AVC isquêmico, que representa 85% dos casos, ocorre por entupimento de vasos sanguíneos que levam sangue ao cérebro, enquanto o AVC hemorrágico, que representa 15% dos casos, resulta do rompimento de um vaso, provocando sangramento no tecido cerebral.
Entre as principais sequelas do AVC estão fraqueza ou dificuldade nos movimentos, rigidez muscular, problemas na fala, problemas de memória e raciocínio, além de alterações emocionais.


