Operação Catrimani II destrói 80 pistas de garimpo na Terra Yanomami

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

A operação de combate ao garimpo na Terra Yanomami destruiu 80 pistas clandestinas utilizadas em atividades ilegais. Algumas dessas pistas servem como apoio logístico para acesso à Venezuela.

O trabalho de destruição é realizado pela operação Catrimani II, das Forças Armadas, desde junho de 2024. A pista mais recente inutilizada foi a Lobo D’Almada, localizada na região de Iracema, no Sul de Roraima.

A pista, que possui 400 metros de extensão, havia sido interditada anteriormente em novembro de 2025, mas foi reativada por criminosos que cobriram as crateras com terra e madeira. Essa área é considerada um alvo de “alto impacto”, devido à intensa presença de garimpeiros, conforme os militares.

Às margens do rio Lobo D’Almada, a cerca de 82 quilômetros da fronteira, a pista funcionava como ponto estratégico para o garimpo ilegal e como rota de acesso à Venezuela. A operação também mapeou outras três pistas utilizadas para acessar o país vizinho: Dicão, Capixaba e Pupunha.

- Publicidade -

Para a destruição da pista Lobo D’Almada, foram utilizados 350 quilos de explosivos, que foram detonados por volta das 13h. A logística da operação exigiu 13 horas e 40 minutos de voo, consumindo 4.200 litros de combustível e mobilizando três helicópteros militares: H-60 Black Hawk da Força Aérea Brasileira, HM-1 Pantera do Exército Brasileiro e UH-15 Super Cougar da Marinha do Brasil.

A destruição das 80 pistas é parte de um esforço contínuo para asfixiar logisticamente a atividade ilegal, que envolve mapeamento por satélites, sobrevoos frequentes e monitoramentos de inteligência. Dados oficiais indicam que 50 pistas foram destruídas em 2024, 25 em 2025 e cinco até 17 de março de 2026.

O diretor da Casa de Governo em Roraima, Nilton Tubino, afirmou que a persistência na manutenção dessas pistas revela uma mudança na logística do crime. “A gente identifica que podem ser pistas que estão sendo utilizadas para uma estrutura de apoio à Venezuela, que são próximas da fronteira. Então o avião leva os produtos até ali [terra Yanomami], uma outra aeronave vem, pega e leva para a Venezuela”, explicou Tubino.

Tecnicalmente, a inutilização das pistas é chamada de “interdição”, pois há possibilidade de reativação por parte dos garimpeiros. A inteligência da operação identificou pelo menos outras oito tentativas recentes de reativação em áreas críticas. Um militar que participou da operação destacou que a imensidão da floresta dificulta as ações de repressão.

O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) identificou mais de 30 estradas vicinais fora do território indígena que passaram a ser usadas como pistas improvisadas para acessar a região clandestinamente.

- Publicidade -

A operação Catrimani II, em atividade desde abril de 2024, é uma continuação da Catrimani I, que focou na ajuda humanitária aos indígenas Yanomami. Esta fase é voltada para a retirada de garimpeiros e destruição da logística da atividade ilegal. Apesar dos avanços, Tubino reconheceu que o estado ainda não conseguiu passar para a fase de monitoramento do território.

Compartilhe esta notícia