Relatório da ONU revela desigualdade de gênero no acesso à água

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, publicado em 19 de março de 2026, aponta que as desigualdades de gênero comprometem a segurança hídrica mundial, afetando de maneira desproporcional mulheres e meninas.

As mulheres são as principais responsáveis pela coleta de água, estando à frente em mais de 70% dos domicílios rurais sem acesso a serviços de água. No entanto, elas continuam excluídas da gestão e dos cargos de liderança no setor hídrico.

O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, destacou a importância da participação feminina na gestão hídrica.

““Devemos intensificar os esforços a fim de proteger o acesso de mulheres e meninas à água. Este não é apenas um direito básico, pois quando as mulheres têm acesso igual à água, todos se beneficiam”,”

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afirmou.

Alvaro Lario, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e da ONU-Água, também enfatizou a necessidade de reconhecer o papel central das mulheres e meninas nas soluções relacionadas à água.

““Precisamos de mulheres e homens que administrem a água lado a lado, como um bem comum que fornece benefícios a toda a sociedade”,”

disse.

O relatório é divulgado anualmente em contexto do Dia Mundial da Água, que será celebrado em 22 de março. O estudo alerta que 2,1 bilhões de pessoas ainda não têm acesso a água potável administrada de forma segura, com mulheres e meninas sendo as mais afetadas.

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As mulheres e meninas enfrentam riscos à saúde, perda de acesso à educação e maior vulnerabilidade à violência de gênero, especialmente em locais onde os serviços de água são inseguros. Diariamente, elas passam 250 milhões de horas coletando água, tempo que poderia ser utilizado em educação ou atividades de geração de renda.

Além disso, a falta de instalações sanitárias adequadas impacta desproporcionalmente mulheres e meninas, especialmente em áreas urbanas e rurais. Entre 2016 e 2022, 10 milhões de adolescentes faltaram à escola devido a dificuldades de higiene menstrual.

O relatório também destaca que as desigualdades de gênero na posse de terras afetam diretamente o acesso das mulheres à água, uma vez que os direitos à água estão frequentemente vinculados aos direitos à terra. Em muitos países, homens detêm o dobro de terras em comparação às mulheres.

O relatório recomenda eliminar barreiras legais e financeiras aos direitos iguais de mulheres à água e à terra, investir em dados desagregados por sexo e fortalecer a liderança feminina na governança hídrica.

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