A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, afirmou nesta sexta-feira (20) que foi “manipulada e enganada” pelo financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.
A declaração foi feita em entrevista à emissora pública NRK e divulgada pela agência de notícias Reuters. A repercussão se deu após a divulgação de milhões de documentos de Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA, que revelaram seus laços com pessoas proeminentes, incluindo a princesa e políticos noruegueses.
Em sua fala, Mette-Marit expressou arrependimento pela amizade com Epstein, afirmando: “Fui manipulada e enganada. É claro que eu gostaria de nunca tê-lo conhecido”.
Os arquivos revelam que a princesa manteve contato frequente com Epstein entre 2011 e 2014, mesmo após ele ter se declarado culpado em 2008 por aliciar uma menor de idade. Durante uma viagem particular em 2013, Mette-Marit ficou hospedada em sua casa em Palm Beach por quatro dias.
“Ele se aproveitou do fato de termos um amigo em comum e de eu ser ingênua. Gosto de acreditar no melhor das pessoas. Mas também optei por encerrar o contato com ele”, disse a princesa.
Apesar da relação, Mette-Marit não é acusada de nenhum crime e afirmou: “Nunca vi nada ilegal”. Em um e-mail de 2011, a princesa comentou que a situação “não parecia muito boa” após pesquisar Epstein no Google, mas não se lembra do contexto da mensagem.
A revelação de novos detalhes sobre a relação da princesa com Epstein gerou críticas e pedidos para que ela prestasse mais esclarecimentos. Em fevereiro, Mette-Marit já havia pedido desculpas ao rei Harald V e à rainha Sonja da Noruega.
O príncipe herdeiro Haakon, marido de Mette-Marit, declarou apoio à esposa durante a crise, afirmando: “Mette é carinhosa, sábia e muito forte. É por isso que sempre estarei ao lado dela quando algo difícil acontecer”.
A princesa também enfrenta problemas pessoais, incluindo uma doença pulmonar crônica que pode exigir um transplante de pulmão no futuro. Além disso, seu filho mais velho, Marius Borg Høiby, está sendo julgado por acusações de estupro e violência doméstica, que ele nega.
A popularidade da monarquia norueguesa caiu nos últimos meses, com uma pesquisa mostrando que cerca de 60% dos noruegueses apoiam a monarquia, uma queda em relação aos 70% registrados em janeiro.
O escândalo envolvendo Epstein também teve repercussão política na Europa, com críticas ao governo do Reino Unido e investigações em outros países. Na Noruega, parlamentares discutem abrir uma investigação sobre possíveis vínculos com Epstein, enquanto o ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland é investigado pela polícia norueguesa sob suspeita de corrupção.

