Fim da patente do Ozempic: novos genéricos podem chegar às farmácias

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A partir de hoje, 20 de março de 2026, começa uma nova fase para os agonistas do GLP-1, com o fim da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, que revolucionou o tratamento da obesidade e diabetes tipo 2.

A semaglutida foi destacada como a principal descoberta científica pela revista Science em 2023. Desde o lançamento do Ozempic, observou-se um impacto positivo na perda de peso, levando ao desenvolvimento do Wegovy, indicado para emagrecimento.

No Brasil, 17 pedidos de registro de versões da semaglutida foram apresentados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, há oito produtos em análise, sendo sete sintéticos e um biológico. A Anvisa informou que dois pedidos de registro estão em exigência, com prazo para resposta até o final de junho.

As equipes técnicas da Anvisa devem se posicionar sobre a aprovação ou reprovação dos produtos até o final de abril. A aprovação não garante a imediata disponibilidade nas farmácias, pois a definição do preço máximo de venda deve ser feita pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

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As novas versões de semaglutida não serão necessariamente genéricas, podendo ter nomes comerciais e insumos diferentes dos produtos da Novo Nordisk. Além disso, não terão o desconto de 35% previsto pela Lei dos Genéricos, mas devem apresentar preços mais competitivos com a entrada de novas marcas no mercado.

As farmacêuticas começaram a se preparar para a quebra da patente em 2023. A Eurofarma lançou duas marcas de injeções semanais de semaglutida, Poviztra e Extensior, em parceria com a Novo Nordisk. A EMS investiu mais de R$ 1 bilhão em uma fábrica em Hortolândia, focando na produção de semaglutida por um novo método de síntese química.

A Cimed também solicitou registro e estima que seu produto chegue ao mercado no próximo ano, dependendo do avanço das etapas regulatórias. A Biomm apresentou um dossiê à Anvisa para registro de uma versão genérica da semaglutida.

A Novo Nordisk tentou prorrogar a patente por mais 12 anos, mas o pedido foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em janeiro de 2026. A empresa reafirmou seu compromisso com a inovação e a produção local de medicamentos injetáveis no Brasil.

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