Estudo revela que ocupação humana na América do Sul ocorreu mais tarde do que se pensava

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um estudo publicado na revista Science nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, revela que a ocupação humana em Monte Verde, no Chile, ocorreu entre 8 mil e 4 mil anos atrás, mais tarde do que se acreditava anteriormente.

Monte Verde é um importante sítio arqueológico, escavado pela primeira vez há cerca de 50 anos, que inicialmente indicava a presença humana na região há aproximadamente 14,5 mil anos. No entanto, novas evidências geológicas e de datação alteraram essa linha do tempo.

Os autores do estudo analisaram a idade e o contexto geológico de Monte Verde II, coletando amostras e datando nove exposições de sedimentos ao longo do riacho Chinchihuapi. A nova avaliação revelou uma complexidade maior da planície de inundação onde se localiza o sítio arqueológico.

As camadas de areia e cascalho depositadas por água e degelo glacial entre 26 e 15,5 mil anos atrás, além de madeira, sedimentos de pântano e uma camada de cinzas vulcânicas chamada Lepúe Tephra, datada de 11 mil anos atrás, foram identificadas. Como o depósito da planície de inundação está acima dessa camada de cinzas, ele deve ser mais recente que 11 mil anos.

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Datações por radiocarbono de pedaços de madeira e turfa dos sedimentos indicaram idades entre aproximadamente 8.200 e 4.100 anos, no Holoceno Médio. Os autores sugerem que as datas das escavações anteriores podem ter sido influenciadas por materiais do final do Pleistoceno depositados no local por erosão.

As descobertas reformulam a linha do tempo da ocupação na América do Sul, uma vez que Monte Verde era considerado um importante sítio arqueológico pré-Clóvis, relacionado aos sítios de Clóvis nos Estados Unidos, com idades em torno de 13 mil anos. O novo estudo destaca a necessidade de verificação independente de sítios arqueológicos antigos.

Embora o estudo indique uma nova data para a ocupação da região onde hoje é o Chile, outros sítios na América do Sul e Central ainda sustentam a possibilidade da chegada pré-Clóvis em áreas abaixo dos sítios arqueológicos mais ao norte. No Brasil, a Serra da Capivara, com pinturas rupestres de 30 mil anos e restos de fogueira com quase 50 mil anos, é citada como evidência da ocupação humana anterior às referências Clóvis, segundo a arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon.

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