O mercado imobiliário de Aparecida de Goiânia está passando por uma fase de forte valorização e escassez de imóveis, especialmente em relação aos condomínios horizontais. Em entrevista, Eduardo Oliveira, sócio e diretor da CINQ Inteligência Urbana, destacou que, nos últimos dez anos, foram lançados 11 empreendimentos desse tipo na cidade, todos já vendidos. ‘Hoje, praticamente o estoque de condomínios horizontais em Aparecida é zero. A população quer esse produto e não tem ele disponível no mercado’, afirmou.
Eduardo explicou que o crescimento econômico da cidade é um fator que explica a alta demanda. ‘A cidade sai em 2008 de em torno de 5 mil CNPJs ativos para hoje em torno de 100 mil. É o segundo PIB do Centro-Oeste tirando as capitais. Uma cidade que amadureceu muito sua zona industrial e logística, trazendo renda e busca por moradias de qualidade’, disse.
Ele também mencionou a presença de universidades, incluindo duas faculdades de medicina, que fortalecem a dinâmica urbana e atraem novos moradores. O diretor da CINQ ressaltou que empreendimentos em áreas centrais têm maior valorização. ‘O ativo hoje de você ter um condomínio fechado ou apartamento em áreas mais centrais, onde já existe infraestrutura consolidada, comércio e serviços, traz uma valorização acentuada em relação a projetos mais distantes. Há ganho de tempo e custo de deslocamento’, explicou.
Eduardo avaliou que o aumento do PIB local impactou diretamente os preços dos imóveis. ‘O crescimento econômico reflete numa melhoria do comércio, das atividades econômicas e da infraestrutura. O mercado imobiliário passou a ofertar projetos para uma população que cresceu em renda e busca qualidade de vida. Os primeiros foram os condomínios horizontais, mas agora começa o movimento de verticalização’, afirmou.
O público é diversificado, com forte presença de famílias jovens e moradores vindos de Goiânia. ‘Praticamente 50 a 60% do público veio de Goiânia. Famílias com crianças, jovens buscando seu primeiro investimento em loteamentos fechados. Investidores também enxergam grande potencial, já que Aparecida tem 600 mil habitantes e é a 37ª cidade do Brasil em população’, disse Oliveira.
Ele destacou que o movimento pendular entre Goiânia e Aparecida está equilibrado, favorecido por novos eixos viários. Apesar dos lançamentos, Eduardo não vê risco de saturação. ‘Todos os projetos foram vendidos. Existe carência de loteamentos fechados e de apartamentos residenciais. Projetos como o Cidade do Amanhã vão trazer loteamentos, residências verticais, salas comerciais e hotel, junto com comércio e serviços’, explicou.
Aparecida de Goiânia, que por muito tempo foi vista como cidade dormitório, vive uma nova realidade. ‘Hoje você tem praticamente 100 mil CNPJs ativos e é a cidade mais madura em indústrias e logística do estado. É o segundo PIB do Centro-Oeste. Há uma demanda forte de pessoas morarem em Aparecida, inclusive migrações de Goiânia e de outros estados’, afirmou.
Sobre o futuro, Eduardo apontou a revisão do Plano Diretor prevista para 2026/2027 como decisiva. ‘O que ele vem fazer é ajustar dentro desse amadurecimento e preparar o município para a verticalização. A atualização vai tornar Aparecida tão competitiva quanto Goiânia. A cidade carece desse projeto, já que a verticalização ainda está concentrada na borda de Goiânia, na avenida Rio Verde, e não chegou a entrar em Aparecida’, explicou.
Oliveira também destacou que a verticalização com qualidade será capaz de trazer segurança e qualidade de vida às famílias. ‘Aparecida fez uma infraestrutura viária conectando Goiânia com Aparecida. Hoje você tem eixos Norte-Sul e Leste-Oeste que fazem realmente essa mobilidade urbana, integração do transporte público e áreas verdes. A cidade vem consolidando a construção de parques, como o Parque da Família, o Parque da Criança e um novo parque na região central’, disse.
Ele ressaltou ainda os princípios do novo urbanismo aplicados ao projeto Cidade do Amanhã. ‘O novo urbanismo tem como princípio criar um bairro-cidade, onde se mora, estuda, trabalha e se diverte no mesmo lugar, a uma simples caminhada. Sem uso de carro, transitando de bicicleta ou a pé, com comércio, serviço, cultura e educação na porta de casa. Isso ressignifica os espaços urbanos’, afirmou.
Sobre a rentabilidade, Eduardo apontou que os últimos lançamentos tiveram valorização entre 120% e 150% nos últimos seis a oito anos. ‘O loteamento fechado é um ativo imobiliário resiliente. Não é uma commodity. Você precisa de áreas com atratividade ambiental e localização. Fazer isso dentro de um centro urbano é agregar qualidade de vida e tempo. Hoje não falamos mais em metro quadrado, mas em tempo ao quadrado’, disse.
Comparando com Goiânia, Eduardo avaliou que Aparecida oferece maior potencial de valorização. ‘Aparecida está no início do seu ciclo de desenvolvimento imobiliário. Goiânia já cresceu muito e hoje a região metropolitana é o terceiro mercado do país em volume de vendas. Quem chega agora em Aparecida vai experimentar a valorização que Goiânia teve há cinco, seis anos. Quem chega agora vai beber água limpa’, afirmou.
O especialista considera que o mercado de alto padrão já é realidade em Aparecida. ‘Foram 11 loteamentos fechados lançados nos últimos 10 anos, todos consumidos. Hoje você vê casas térreas de R$ 1,5 milhão e sobrados de até R$ 2,5 milhões. É um amadurecimento do mercado. Já há procura por apartamentos compactos de dois e três quartos e até de quatro quartos’, disse.
Entre as tendências, Oliveira cita salas comerciais, torres corporativas e hotéis. ‘Aparecida demanda áreas de gastronomia, cultura e entretenimento. É o maior polo industrial e logístico do estado, mas não tem setor hoteleiro. Uma cidade de 600 mil habitantes sem hotel. Isso é uma grande oportunidade’, afirmou. Ele também destacou espaço para habitação mais acessível. ‘Aparecida tem olhar para o Minha Casa, Minha Vida. Hoje o programa financia imóveis de até R$ 500 mil, com expectativa de aumento para R$ 600 ou R$ 650 mil. Isso abre leque para apartamentos compactos de um e dois quartos. Então teremos diversidade: desde projetos econômicos até alto padrão de três ou quatro suítes’, concluiu.

