Corpo de morador baleado em operação no Morro dos Prazeres é velado no RJ e será enterrado no Piauí

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

O corpo do ajudante de cozinha Leandro Silva Souza, de 30 anos, foi velado na manhã desta sexta-feira (20) no Cemitério do Catumbi, no Rio de Janeiro. Leandro foi baleado durante uma operação da Polícia Militar no Morro dos Prazeres. Por volta das 10h, o corpo foi levado para o Aeroporto do Galeão, de onde seguiu para o Piauí, sua terra natal. O enterro está marcado para este sábado (21) em Milton Brandão, município do Piauí.

O translado do corpo foi custeado por amigos de um time de futebol que Leandro frequentava, além do apoio do seu patrão. Durante o velório, amigos e familiares prestaram solidariedade à viúva Roberta Hipólito, que estava em casa no momento em que o marido foi morto. O irmão de Leandro informou que o casal planejava ter um bebê e que o sonho dele era construir uma casa.

A versão da viúva sobre os acontecimentos diverge da versão policial. O depoimento de Roberta está agendado para segunda-feira na Delegacia de Homicídios. Quatro policiais militares foram afastados por mau uso das câmeras corporais.

A Polícia Militar alega que a casa de Leandro foi invadida por criminosos, que fizeram o morador e sua esposa reféns, e que houve uma tentativa de negociação antes do confronto. No entanto, Roberta nega essa versão e afirma que os policiais chegaram atirando. Ela também declarou que não houve troca de tiros e que foi orientada por um agente a declarar que os disparos partiram de bandidos.

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A operação, realizada na quarta-feira (18) pelo Batalhão de Operação Especiais (Bope) e pela Subsecretaria de Inteligência da PM, tinha como objetivo localizar criminosos envolvidos em roubos de veículos. Ao todo, oito pessoas morreram, incluindo Leandro.

Durante uma coletiva de imprensa, o tenente-coronel Marcelo Corbage, comandante do Bope, afirmou que a casa foi invadida por bandidos e que houve uma tentativa de negociação, que resultou em confronto. Ele declarou: “Uma ação covarde. Eles entraram na residência, colocaram um casal como refém. E quando adentramos o imóvel começou uma negociação preliminar.”

O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, também comentou que a intervenção foi necessária após disparos terem sido efetuados dentro do imóvel. A PM lamentou a morte de Leandro e informou que o caso está sendo investigado internamente e pela Polícia Civil.

Roberta, por sua vez, negou que houve qualquer tipo de confronto e afirmou que os únicos disparos foram feitos pela polícia. Ela relatou que a polícia não fez perguntas sobre a presença de moradores e que foi orientada a relatar que Leandro foi baleado por criminosos. A viúva contestou ainda o número de criminosos presentes na casa, afirmando que eram quatro, dos quais três foram mortos sem reagir.

Além de Leandro, a operação resultou na morte de Claudio Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres, de 55 anos, apontado como chefe do tráfico na região. Jiló tinha pelo menos 8 mandados de prisão em aberto e uma extensa ficha criminal.

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O Ministério Público do Rio (MPRJ) solicitou as imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos na operação. A PM não confirmou se os agentes estavam utilizando essas câmeras e não comentou as declarações da viúva, que contradizem a versão policial. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) informou que o caso segue sob investigação.

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