O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, se reuniu nesta sexta-feira (20) com seu advogado para discutir um acordo de delação premiada. Vorcaro já assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e com a Polícia Federal.
Atualmente, Vorcaro está preso na sede da Polícia Federal em Brasília. A PF reforçou a segurança na área, com vigilância do espaço aéreo e proibição de sobrevoos de drones. O banqueiro foi transferido de helicóptero na quinta-feira (19) da Penitenciária Federal de Segurança Máxima para a Superintendência da PF em Brasília, onde passou a noite em uma cela comum.
Na manhã seguinte, um dos advogados de Vorcaro, Sergio Leonardo, fez uma visita que durou cerca de duas horas e retornou à tarde. A PF investiga Vorcaro por suspeitas de crimes financeiros, corrupção de agentes públicos e perseguição a autoridades e jornalistas.
O Banco Central liquidou o Banco Master em novembro de 2025, e o Fundo Garantidor de Créditos pode ter que cobrir um impacto estimado em R$ 50 bilhões para ressarcir clientes e investidores. A primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do Master, ocorreu em novembro de 2025.
A PF prendeu Vorcaro quando ele tentava embarcar do Aeroporto de Guarulhos para a Europa. Doze dias depois, ele saiu da prisão usando tornozeleira eletrônica. A operação resultou em um inquérito principal, que foi prorrogado por mais 60 dias pelo ministro André Mendonça, a pedido da PF.
A segunda fase da operação aconteceu em janeiro, com 42 mandados de busca e apreensão, incluindo endereços ligados a Vorcaro e a seus parentes. A terceira fase ocorreu no início de março, quando o banqueiro foi preso novamente.
O primeiro celular apreendido de Vorcaro continha quatro terabytes de informações e já foi periciado, mas a análise do conteúdo ainda está em andamento. Na segunda fase, a PF apreendeu mais cinco celulares do banqueiro, e na terceira, mais três, totalizando nove celulares, além de documentos e computadores.
Outros materiais também foram apreendidos de investigados, incluindo o celular do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também está preso, e o celular de Luiz Phillipi Mourão, que tentou se matar após a prisão e morreu no hospital. Segundo a investigação, Zettel e Mourão faziam parte de um grupo criminoso destinado à obtenção ilegal de informações e à intimidação de adversários de Vorcaro.
Durante o julgamento que manteve a prisão de Daniel Vorcaro, o ministro André Mendonça afirmou que outros integrantes da organização criminosa ainda podem ser identificados. A PF enviou relatórios preliminares com a análise dos celulares e do material apreendido ao ministro Mendonça, que informam sobre menções a políticos e autoridades com foro privilegiado.
A análise desse material pode fornecer novos elementos para a negociação de um acordo de colaboração premiada com Vorcaro.

