O prefeito de Poços de Caldas, Paulo Ney (PSD), destruiu um cocho tombado durante um ato público que oficializou o fim do serviço de charretes a cavalo na cidade. O evento ocorreu na segunda-feira, 16 de março de 2026.
Acompanhado de protetores da causa animal, o prefeito utilizou uma marreta para quebrar as pedras do cocho, que servia como bebedouro para os animais das charretes. A Câmara Municipal questionou a atitude do prefeito, considerando-a um desrespeito à história local e aos charreteiros.
O requerimento apresentado pelo vereador Thiago Mafra (PT) foi aprovado por unanimidade e questiona a legalidade do ato, além de indagar se houve autorização dos órgãos competentes. O vereador destacou que a praça Getúlio Vargas, onde se localiza o cocho, integra o Complexo Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas, tombado pelo estado desde 1989 e pelo município desde 2006.
A Lei Orgânica de Poços de Caldas proíbe a descaracterização de espaços tombados sem autorização legislativa. Uma lei complementar de 2006 estabelece que bens protegidos não podem ser destruídos, alterados ou restaurados sem autorização prévia do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico (CONDEPHACT).
A Divisão de Patrimônio Construído e Tombamento (DPCT) informou que o cocho não é tombado e foi construído recentemente. A prefeitura comunicou que o cocho foi reconstruído na sexta-feira, 13 de março de 2026, mas a estrutura ficou descaracterizada, com as pedras cimentadas e a fonte de água retirada, substituída por terras e plantas.
O professor e historiador Hugo Pontes afirmou que, como a praça é tombada, todos os elementos devem ser preservados. Ele defende que o local deve ser conservado e sinalizado para registrar a existência das charretes como um fato histórico da cidade. ‘A prefeitura deveria colocar uma placa, porque as futuras gerações talvez não venham a se lembrar disso’, disse.
Embora as charretes a cavalo tenham sido extintas em Poços de Caldas, as carruagens elétricas, que deveriam substituí-las, ainda não têm prazo para começar a operar.

