Delação de Vorcaro pode gerar novas investigações, afirmam advogados

Amanda Rocha
Tempo: 5 min.

Advogados afirmam que a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode levar a novas investigações e à responsabilização penal das lideranças da suposta organização criminosa que ele chefiava. Vorcaro assinou na quinta-feira (19) um termo de confidencialidade com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e com a PF (Polícia Federal) para firmar um acordo de delação premiada.

Esse termo é considerado o primeiro passo para que o empresário possa, de fato, delatar. A advogada criminalista e professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Luísa Ferreira, destacou que o surgimento de novos alvos de investigação da PF é um dos desdobramentos mais prováveis da delação de Vorcaro, dada a extensa rede de contatos que ele tinha com políticos e autoridades.

““Ao que tudo indica, ele tem muito a dizer e tem muito a informar sobre muitas pessoas […] Muitas ações penais, muitas investigações serão geradas a partir dessa delação”, explicou Luísa Ferreira.”

Ela acrescentou que, com a colaboração do ex-banqueiro, é possível também recuperar bens, como pagamentos de propina ou valores que se encontram em contas no exterior de pessoas envolvidas na organização criminosa. Além das fraudes envolvendo o Banco Master, Vorcaro é acusado de chefiar uma organização criminosa que coagia e intimidava supostos “desafetos”.

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Thiago Turbay, criminalista e sócio do escritório Boaventura Turbay Advogados, compartilhou uma avaliação semelhante. “Os desdobramentos serão a responsabilização penal das lideranças da organização criminosa e o amplo conhecimento dos fatos narrados”, disse.

Ambos os advogados afirmaram que a eficácia da delação e seus desdobramentos só serão comprovados se Vorcaro oferecer elementos de corroboração suficientes.

““A eficácia da delação de Vorcaro, portanto, não será medida pela gravidade das suas palavras, mas pela qualidade das provas que ele será capaz de incorporar à investigação”, destacou Turbay.”

Para que o acordo seja válido, a colaboração precisa produzir resultados concretos, como a recuperação de dinheiro desviado ou a prevenção de novos crimes. Advogados que acompanham o caso afirmam que a ideia inicial de Vorcaro seria mirar políticos e poupar o STF (Supremo Tribunal Federal). No entanto, o relator do caso Master na Corte, ministro André Mendonça, já sinalizou que não concordaria com uma colaboração que tentasse preservar outros integrantes do tribunal.

Há expectativa, principalmente por parte da Oposição e de críticos do Supremo, de que uma eventual delação de Vorcaro atinja a Corte. Mensagens identificadas no celular de Vorcaro pela PF mostraram diálogos que fazem referência a um suposto envolvimento dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro.

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Luísa Ferreira ressaltou que não há registro de delações que afetaram ministros do Supremo anteriormente. Ela destacou que, embora Mendonça tenha sinalizado que não aceitará uma delação “pela metade”, não é o ministro quem conduz a colaboração. A defesa de Vorcaro, de forma inédita, negocia o acordo com a PF e com a PGR.

Normalmente, esse tipo de acordo é feito com um órgão ou outro, e não com ambos.

““O André Mendonça homologa, mas ele não tem controle de onde chega ou não a delação, nem o Vorcaro. O que acontece na prática é que as autoridades vão dizer: ‘Olha se você não falar exatamente qual a sua relação com o Alexandre de Moraes, a gente não vai te dar a delação’”, diz a criminalista.”

A advogada acrescentou que o controle sobre até onde vai a delação será feito pela PF e pela PGR, que determinarão se o acordo será ou não feito, com base no que for dito por Vorcaro. Até o momento, Vorcaro assinou apenas o acordo de confidencialidade, também chamado de acordo de sigilo.

Isso não significa ainda que ele fará ou não a delação ou que, se fizer, ela será válida. Turbay avaliou que o acordo de confidencialidade inaugura a fase de negociação, mas não confere validade jurídica ao conteúdo produzido.

““A delação não deve ser considerada uma prova por si só e precisa ser confirmada por outros elementos”, destacou.”

Se assinar o acordo, Vorcaro aceitará colaborar com a Justiça nas investigações envolvendo o Master em troca de benefícios relacionados à sua pena. O banco é acusado de um esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro.

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