Museu Britânico altera descrições e gera protestos sobre Palestina

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O Museu Britânico, localizado em Londres, gerou protestos ao substituir o termo ‘Palestina’ por ‘Canaã’ em suas descrições. A mudança foi questionada após uma reportagem do jornal britânico ‘The Guardian’, que levantou a hipótese de que o museu teria cedido a pressões de um grupo de advogados pró-Israel.

Esse coletivo argumentou que a aplicação do termo Palestina a períodos históricos era incorreta, pois, segundo eles, ‘uma entidade assim sequer existia’ na época. Eles afirmam que essa designação poderia obscurecer a história de Israel e do povo judeu.

O museu, por sua vez, nega ter cedido a qualquer pressão e afirma que as alterações foram feitas de forma independente. A mudança ocorre em um contexto delicado, após a guerra em Gaza, que resultou em danos a mais de 150 heranças culturais, incluindo sítios arqueológicos da Antiguidade.

Ayman Warasneh, arqueólogo e museólogo palestino, comentou sobre a situação, afirmando que ‘Canaã’ pode ser um termo mais preciso para a Idade do Bronze Tardia, mas questionou as razões para a utilização original do termo ‘Palestina’. Ele destacou que não há novas descobertas que justifiquem essa mudança.

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O Museu Britânico afirmou que continua a usar o termo ‘Palestina’ em várias galerias, tanto contemporâneas quanto históricas, mas que alterou alguns rótulos e mapas para utilizar ‘Canaã’, que considera mais apropriado para o Levante meridional no final do segundo milênio antes de Cristo.

Warasneh também observou que a distinção entre fatos arqueológicos e lugares geográficos é importante, afirmando que a designação ‘Palestina’ na Idade do Bronze Tardia é apenas uma referência geográfica.

Além disso, o caso do Museu Britânico não é isolado. O mesmo grupo de advogados solicitou à Open University, no Reino Unido, que deixasse de descrever a Virgem Maria como tendo nascido na ‘antiga Palestina’. No Canadá, o Royal Ontario Museum enfrentou pressão semelhante em relação a artefatos rotulados como ‘Síria ou Palestina’.

Warasneh concluiu que ‘museus lidam com sensibilidades’ e que mudanças não explicadas podem minar a confiança do público.

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