Matheus Tavares, de 27 anos, chamou a atenção nas redes sociais ao anunciar que havia conseguido seu “primeiro emprego”. A publicação viralizou, alcançando mais de 2 milhões de visualizações em poucas horas.
Embora tenha trabalhado em diversas funções ao longo da vida, como office-boy, fotógrafo, motoboy e mecânico, Matheus nunca havia tido um emprego formal com carteira assinada. Ele relata que, apesar de suas experiências, as pessoas frequentemente o olhavam “com pena”, como se estivesse sem rumo.
Recentemente, Matheus passou a trabalhar como engenheiro de software, mas não sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ele foi contratado como pessoa jurídica (PJ) após abrir um CNPJ. “Antes eu tinha trabalhos. Agora eu tenho um emprego. Hoje eu tenho um título, consigo dizer o que eu faço”, afirma.
A repercussão de sua história levantou discussões sobre a importância do vínculo formal e o julgamento de trajetórias que não seguem o modelo CLT. A CLT, criada em 1943, organiza as relações de trabalho no Brasil, garantindo direitos como férias e 13º salário, mas não reflete toda a realidade do mercado, onde cerca de 38,5 milhões de brasileiros estão na informalidade.
Fernando Cardoso, especialista em mercado de trabalho, destaca que o foco está mudando da formalização para a capacidade de entrega. Ele acredita que experiências fora da CLT podem ser valorizadas se apresentadas de forma estruturada.
Matheus enfrentou dificuldades em processos seletivos, especialmente nas etapas iniciais, onde não conseguia passar do RH. Sua situação reflete a realidade de muitos profissionais que ainda enfrentam filtros baseados no histórico formal. Ele conseguiu a vaga atual ao organizar suas experiências em um portfólio.
O debate sobre a idade de Matheus também surgiu, com especialistas afirmando que o mercado de trabalho brasileiro está passando por mudanças estruturais. O economista Bruno Imaizumi explica que o envelhecimento da população e o maior tempo dedicado aos estudos contribuem para que a entrada no mercado formal ocorra mais tarde.
Edgard Rodrigues, professor, observa que as carreiras estão se tornando menos lineares e que o momento de entrada não define o potencial do profissional. Ele ressalta a importância de como os profissionais comunicam suas trajetórias, enfatizando que não basta listar atividades, mas mostrar impacto e aprendizado.
Matheus, mesmo atuando como PJ, considera propostas no regime CLT e reflete sobre sua trajetória. “Agora eu consigo enxergar um caminho”, conclui.

