Molécula no sangue de pítons pode inspirar novos tratamentos contra obesidade

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

Pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder descobriram que uma molécula produzida no organismo de pítons após a alimentação pode auxiliar no desenvolvimento de novos tratamentos contra a obesidade. A pesquisa foi publicada na revista Nature Metabolism.

A substância, chamada para-tiramina-O-sulfato (pTOS), foi identificada no sangue das serpentes após grandes refeições. Em testes realizados com camundongos, a molécula demonstrou reduzir o apetite e promover a perda de peso sem causar náuseas, perda muscular ou queda de energia, efeitos frequentemente associados a medicamentos como os análogos de GLP-1.

Os pesquisadores analisaram o sangue de pítons-bola e pítons-birmanesas logo após a alimentação, identificando 208 metabólitos que aumentaram significativamente. O pTOS destacou-se por ter níveis até mil vezes maiores após a refeição. A administração da substância em camundongos, tanto obesos quanto magros, atuou diretamente no hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle do apetite.

O pTOS é produzido por bactérias intestinais das cobras e não está presente naturalmente em roedores. Em humanos, a substância aparece em pequenas quantidades na urina e pode aumentar levemente após a alimentação. Os autores do estudo sugerem que o pTOS pode representar uma alternativa ou complemento aos medicamentos atuais, que atuam promovendo saciedade, mas podem causar efeitos colaterais indesejados.

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A equipe de pesquisa planeja investigar como a molécula atua em humanos e explorar o potencial terapêutico de outros metabólitos identificados nas pítons, alguns deles com aumentos de até 800% após a alimentação. Além da obesidade, os cientistas acreditam que a molécula pode ter aplicações em outras condições, como a sarcopenia, que é a perda de massa muscular associada ao envelhecimento.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores enfatizam que são necessários estudos adicionais para confirmar a segurança e a eficácia do pTOS em humanos.

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